terça-feira, 22 set 2020
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Grupo extremista pró-Bolsonaro promove ataques racistas em live de intelectuais negros

Uma videochamada realizada por um grupo de estudos com intelectuais negros sofreu ataques racistas durante uma transmissão ao vivo realizada nas redes sociais na última quinta-feira (23). Os agressores se disseram “pró-Bolsonaro”.

A palestra virtual, realizada pela Revista África e Africanidades, com o tema “Intelectualidades Negras” foi tomada de injúrias raciais, imagens obscenas e de cunho sexual. Comentários suásticas, declarações pró-nazismo e supremacistas, além de memes homofóbicos e racistas também apareceram.

Entre as mensagens relatadas pela revista estão: “Mulato do cu”, “Vamos destruir tudo”, “É a reunião pró-Bolsonaro”.

O grupo atingindo acredita que sejam perfis falsos, já que imagens eram de mulheres, mas as vozes eram de homens. Segundo eles, as medidas jurídicas cabíveis estão sendo tomadas e um boletim de ocorrência foi aberto na 130ª Delegacia de Polícia, de Quissamã.

Nágila Oliveira Dos Santos, editora da revista que é referência científica na temática étnico-racial, acredita que o ataque foi uma provocação direcionada – parte dos comentários a citavam. “A tentativa do ataque era de silenciamento do grupo como um todo, mas em especial de uma mulher negra”, afirmou.

Segundo a revista, “o ataque explicita ainda mais o racismo estrutural e o racismo epistêmico que se manifesta de forma cotidiana no país dentro de um contexto social e político de acirramento do ódio contra a população negra no Brasil”.

O professor e ativista Babalawô Ivanir dos Santos, pós-doutorando em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ) e militante pela liberdade religiosa e contra o racismo, lamentou o episódio. “É inadmissível esse tipo de comportamento, provoca danos irreversíveis, é preciso agir com rigor e combater. Não é de hoje que sofremos ataques deliberados de racista e nazista, com provocações e atos insanos. Que as autoridades tomem providências o quanto antes”, declarou.    

A revista também publicou uma nota de repúdio sobre o caso, onde destaca que tais práticas “já foram relatadas em outros espaços de debate acadêmico” e são “apenas reflexo daquilo que ocorre cotidianamente em nosso país”. Leia abaixo na íntegra.

NOTA DE REPÚDIO

A Revista África e Africanidades (RAA) através do GT Intelectuais Negros vem manifestar o seu repúdio em decorrência aos ataques sofridos na noite desta quinta-feira, 23 de julho de 2020, na qual durante uma programação aberta (live) aos leitores e amigos da revista fomos  surpreendidos por um grupo (hackers) que ofendeu convidados e participantes com expressões racistas e imagens desagradáveis.

Ocorre que tais práticas, que já foram relatadas em outros espaços de debate acadêmico, não se coadunam com os valores desta equipe, mostrando apenas amplo desconhecimento da nossa luta, uma vez que atuamos em defesa da dignidade humana.

Essa ação criminosa nos revela que o ocorrido no virtual é apenas reflexo daquilo que ocorre cotidianamente em nosso país. Entretanto, não permitiremos que tais ações fiquem impunes, as devidas providências legais serão tomadas. Estamos atentos a expressões e atitudes desta natureza e não toleraremos em nenhuma hipótese tais práticas. Contudo, apesar da má intenção dos responsáveis pelo ataque, tal episódio contribui ainda mais para que possamos compreender que nosso papel é ocupar esses espaços e a partir deles contribuir com responsabilidade na luta antirracista.

Revista África e Africanidades
24 de julho de 2020

Confira alguns prints enviados para a Fórum:

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.