quarta-feira, 30 set 2020
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Justiça do Rio determina soltura de músico negro preso em Niterói

"Causa perplexidade como a foto de alguém primário, de bons antecedentes, sem qualquer passagem policial vai integrar o álbum de fotografias em sede policial como suspeito", criticou o juiz André Luiz Nicolitt

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, na noite de sábado (5) pela soltura de Luis Carlos Justino, jovem negro de 22 anos que integra a Orquestra de Cordas da Grota e que foi preso na última quarta-feira (2) por um controverso mandado de prisão de 2017.

O juiz André Luiz Nicolitt atendeu ao pedido Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e revogou a prisão preventiva do músico, que foi detido por um caso de assalto à mão armada que teria ocorrido em 2017. Justino foi reconhecido por fotos, mas possui comprovação de que estaria em outro lugar no mesmo horário do crime.

“Precisamente, sobre o caso, causa perplexidade como a foto de alguém primário, de bons antecedentes, sem qualquer passagem policial vai integrar o álbum de fotografias em sede policial como suspeito. Nota-se que à fls. 46 consta “após analisar o álbum de fotografia de suspeitos”, diz trecho da decisão de Nicolitt, obtido pela jornalista Flávia Oliveira.

“Indaga-se: por que um jovem negro, violoncelista, que nunca teve passagem pela polícia inspiraria ‘desconfiança’ para constar em um álbum? Como essa foto foi parar no procedimento?”, questionou o magistrado.

A Orquestra de Cordas da Grota realizou um protesto no sábado em frente ao presídio em que o músico estava com cartazes com os dizeres “respeite a favela” e “justiça para Luiz”.

Com informações do O Globo

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.