sexta-feira, 25 set 2020
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Morre em Salvador Makota Valdina, ícone da luta contra o racismo e intolerância religiosa

Morreu na madrugada desta terça-feira (19), em Salvador, a educadora, líder religiosa e militante da causa negra, Makota Valdina, 75 anos. Segundo a família, Makota estava hospitalizada há um mês, no Hospital Teresa de Lisieux. Ela foi referência na luta contra o racismo e intolerância religiosa e na valorização da cultura afro-brasileira.

Ela deu entrada na unidade com dores causadas por pedras no rim, mas, durante a internação foi constatada um abcesso no fígado e, no domingo, Makota sofreu uma parada cardio-respiratória. Ela entrou em coma e não resistiu.

Makota é o cargo religioso ocupado por ela no terreiro de candomblé Tanuri Junsara, de Nação Angola, espécie de conselheira da mãe de santo e responsável por cuidar da casa. “Makota é porque eu resolvi, conscientemente, empunhar a bandeira da militância, não como educadora que eu era, mas como religiosa do candomblé”, disse, em entrevista ao CORREIO, da Bahia, em 2013.

Ambientada na religião de matriz africana desde pequena – sua mãe era do candomblé – Makota só aderiu ao candomblé nos anos 70, quando tomou consciência do racismo. Coincidentemente, era o mesmo ano de surgimento do Movimento Negro Unificado e do Ilê Aiyê.

Sua vida é retratada no documentário Makota Valdina – Um jeito Negro de Ser e Viver, que recebeu o primeiro Prêmio Palmares de Comunicação, da Fundação Cultural Palmares, na categoria Programas de Rádio e Vídeo. Em 2013, ela publicou o livro de memórias intitulado “Meu caminhar, meu viver”.

Ao longo de sua trajetória, Makota recebeu muitas homenagens. Entre elas os prêmios Troféu Clementina de Jesus, da União de Negros Pela Igualdade (UNEGRO), Troféu Ujaama, do Grupo Cultural Olodum, Medalha Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador, e Mestra Popular do Saber, pela Fundação Gregório de Mattos.

Seu corpo será velado no Cemitério Jardim da Saudade e o enterro está previsto para ocorrer às 15h30 desta terça-feira. Makota não deixa filhos biológicos, mas ficam muitos sobrinhos que ela considerava como filhos. “Ela era a mãe de todo mundo aqui. O que ela sempre pediu foi que a gente perpetuasse o legado e os ensinamentos que ela deixou perante a religião e a luta dos negros”, disse o sobrinho Júnior Pakapym.

Com informações do Correio 24 Horas

Redação
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