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19 de fevereiro de 2020, 14h44

Pai-de-santo denuncia racismo religioso em Drogaria São Paulo

"A tentativa de silenciamento de nossos tambores e apagamento de nossa cultura e de subalternização de tudo o que é 'de preto' é cada vez mais ardilosa e obtusa", disse o sacerdote David Dias

Reprodução/Google Maps

O sacerdote de umbanda David Dias, do terreiro Pai João de Angola, usou as redes sociais nesta quarta-feira (19) para denunciar um caso de intolerância religiosa sofrido por uma de suas filhas-de-santo, Raquel Pascoal, enquanto buscava um medicamento em uma unidade da Drograria São Paulo, na Zona Sul de São Paulo.

“Vestindo roupa branca, com a identificação de nosso terreiro, ao solicitar o medicamento à atendente de nome Beatriz, foi surpreendida com a ofensa: ‘Não vou lhe atender por que você é macumbeira e minha religião não permite'”, relatou Dias, que comanda o Aruanda Podcast.

Ele conta que Raquel chamou a gerência, mas foi a todo momento confrontada e “ainda foi desestimulada a proceder com a reclamação mediante a justificativa da possibilidade de demissão da funcionária Beatriz”.

“A tentativa de silenciamento de nossos tambores e apagamento de nossa cultura e de subalternização de tudo o que é ‘de preto’ é cada vez mais ardilosa e obtusa. O despreparo das empresas proporciona a retroalimentação deste racismo institucional e simbólico instaurado silenciosamente na base de valores da maioria das empresas”, disse ainda.

Dias afirmou também que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do terreiro irá buscar medidas legais contra a drogaria. O caso ocorreu na unidade localizada na Rua Descampado, 22 – Vila Vera/SP.

Outro lado

A Drogaria São Paulo enviou uma nota para a Fórum na tarde desta quinta-feira (20) alegando que não houve nenhum registro de ato de discriminação religiosa na Ouvidoria. Confira:

“A Drogaria São Paulo repudia qualquer ato de discriminação ou preconceito de qualquer natureza. Tomamos conhecimento pelas redes sociais de um suposto fato ocorrido na loja do Sacomã, em SP. Imediatamente realizamos uma averiguação interna por meio de nosso Canal de Ouvidoria e constatamos que não houve nenhum ato de discriminação religiosa na data e local mencionados. Identificamos um atendimento breve, com poucas interações entre cliente e nossos colaboradores, sem sinais de atrito nem acionamento da gerência para apoio.

Para nós, da Drogaria São Paulo, cuidado e respeito a todos de forma igualitária são valores essenciais e praticados diariamente. Estamos sempre empenhados em oferecer o melhor atendimento aos nossos clientes, de acordo com os valores que acreditamos e praticamos dentro da empresa. Estamos à disposição para prestar os esclarecimentos necessários por meio dos nossos canais de atendimento e assessoria de imprensa”.

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NOTA DE REPÚDIO – RACISMO RELIGIOSO! Ontem, às 16:21h, minha filha-de-santo, Raquel Pascoal (@quelpascoal) foi vítima de racismo religioso durante um atendimento na Drogaria São Paulo localizada na Rua Descampado, 22 – Vila Vera/SP(@drogariasaopaulo). Vestindo roupa branca, com a identificação de nosso terreiro, ao solicitar o medicamento à atendente de nome Beatriz, foi surpreendida com a ofensa: “Não vou lhe atender por que você é macumbeira e minha religião não permite”. A presença do gerente da loja foi solicitada de imediato que, de modo ineficaz, prestou o atendimento e ainda questionou sobre as medidas que seriam tomadas pela cliente. O fato é que, além da ofensa, da humilhação e dos danos causados à moral, Raquel ainda foi desestimulada a proceder com a reclamação mediante a justificativa da possibilidade de demissão da funcionária Beatriz. A tentativa de silenciamento de nossos tambores e apagamento de nossa cultura e de subalternização de tudo o que é “de preto” é cada vez mais ardilosa e obtusa. O despreparo das empresas proporciona a retroalimentação deste racismo institucional e simbólico instaurado silenciosamente na base de valores da maioria das empresas. Para todas as Comunidades de Terreiro, é posto que este é o discurso do cristianismo contemporâneo de grande parte das igrejas focadas na angariação de rebanhos desmamados de cognição própria e valores éticos. Exigimos o pronunciamento da Drogaria SP (@drogariasaopaulo) e tomadas de medidas imediatas frente a esta situação! Estamos empenhados para que fatos como estes sejam exterminados de nossa sociedade. Estamos formalizando esta nota junto à nossa Comissão de Combate à Intolerância Religiosa de nosso terreiro e, do lado de cá, medidas legais serão tomadas, vez que ESSE CRIME É PUNÍVEL COM PENA DE RECLUSÃO DE DOIS A CINCO ANOS nos termos da LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.) “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer” (Conceição Evaristo). … #Umbanda #DavidUmbanda #DavidDias #IntoleranciaReligiosa #Racismo #RacismoReligioso #Candomble #Terreiro #Macumba #DrogariaSãoPaulo #DrograriaSP #DrograriaSaoPaulo #RacismoInstitucional #RacismoSimbolico

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