Após ataque de pistoleiros, jagunços voltam a ameaçar famílias Sem Terra no TO

Fazendeira reivindica posse do local onde vivem 30 famílias; a área ocupada é do Incra, pública

Dois dias após um ataque de pistoleiros assustar famílias Sem Terra que vivem e produzem no Acampamento Dom Celso, em Porto Nacional (TO), carros com jagunços voltam a rondar a região neste domingo (17). Uma fazendeira da região esteve presente no local.

Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), logo após a fazendeira, que se auto declara proprietária da área, aparecer no acampamento, um homem em uma caminhonete efetuou vários disparos de arma de fogo contra as pessoas que se encontravam próximas. A área é de posse do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), portanto não há uma titularidade privada sobre ela.

O movimento aponta que esses ataques não são isolados e que as famílias têm sofrido com constantes intimidações e ameaças de morte dos jagunços que atuam no local em disputa. Apesar das constantes ameaças, às famílias resistem na luta pelo direito de viver e trabalhar no campo.

O caso já foi comunicado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Incra e à Polícia Civil de Porto Nacional. O MPF identificou vestígios das balas de arma de fogo e pede que sejam tomadas as devidas providências quanto à proteção das famílias. Até o momento, os órgãos não tomaram nenhuma medida.

O fato ainda foi registrado na Central de Flagrantes de Porto Nacional como tentativa de homicídio e segue em investigação.

“É muita insegurança. Já registramos dois boletins de ocorrência, foi comunicado ao próprio secretário de segurança pública, mas até o momento a Polícia Militar não veio ao local, não veio perícia no local até agora”, afirmou a acampada Zélia Baiana. “A gente tá aqui sem saber o que vai acontecer, se vai ter outro ataque hoje ou amanhã…”, completou.

Histórico do acampamento Sem Terra

Em 2015, cerca de 90 famílias ocuparam lotes desocupados do PA Retiro, em Porto Nacional, dando início ao Acampamento Dom Celso. No entanto, em 2018, as famílias foram despejadas e 30 delas deram continuidade ao acampamento no lote 11 do mesmo assentamento.

Durante o processo de reintegração de posse, o INCRA se comprometeu a assentar as famílias na área desocupada, mas nada foi feito. Desde então, as famílias resistem e produzem alimentos saudáveis no local, a fim de denunciar o descaso do poder público e reivindicar o direito de serem assentadas.

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Recentemente, uma fazendeira da região alegou ser proprietária da área em que o acampamento está organizado. O lote 11 é uma área do INCRA, portanto, pública. A argumentação da fazendeira não procede.

Mesmo assim, o acampamento passou a ser alvo de ataques e pressões de pistoleiros. A fazendeira contratou trabalhadores para desmatar parte da área, com o objetivo de construir uma cerca dentro do acampamento. As famílias acampadas impediram o trabalho e foram ameaçadas por jagunços.

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Com informações da Assessoria do MST

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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