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20 de setembro de 2018, 08h56

Diretor de filme canadense “roubado” por equipe de Bolsonaro diz que nunca passou por algo parecido

Ele destacou ainda que o uso de imagens para campanhas políticas é proibido tanto pelo autor quanto pelo banco de imagens

A enfermeira do Banco de Imagens. Foto: reprodução
O candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PSL), soltou, na semana passada, um filme na internet onde usa uma modelo negra vestida de enfermeira. A mulher, que é descrita como “negra e de família pobre”, é canadense e trabalha como executiva na coordenação financeira de uma multinacional. A BBC News Brasil localizou o autor do filme, que diz nunca ter passado por situação semelhante em seus 11 anos de carreira. “É bastante triste. Eu sou completamente contra qualquer politica de divisão, de ódio. Me sinto mal e sinto que fui roubado”, diz Robert Howard por telefone. Além disso, Howard, que se...

O candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PSL), soltou, na semana passada, um filme na internet onde usa uma modelo negra vestida de enfermeira. A mulher, que é descrita como “negra e de família pobre”, é canadense e trabalha como executiva na coordenação financeira de uma multinacional.

A BBC News Brasil localizou o autor do filme, que diz nunca ter passado por situação semelhante em seus 11 anos de carreira. “É bastante triste. Eu sou completamente contra qualquer politica de divisão, de ódio. Me sinto mal e sinto que fui roubado”, diz Robert Howard por telefone.

Além disso, Howard, que se considera moderado, liberal e opositor de qualquer extremismo, disse: “E não me parece muito patriótico usar as imagens de uma estrangeira, sem prévia autorização, em um vídeo que supostamente fala pelas mulheres negras brasileiras”.

Howard conta que foi pego de surpresa com uma enxurrada de mensagens relacionadas aos vídeos, gravados há sete anos. Ele destacou ainda que o uso de imagens para campanhas políticas é proibido tanto pelo autor quanto pelo banco de imagens.

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Além das imagens com roupas de enfermeira usadas por apoiadores de Bolsonaro, a mulher também foi filmada interpretando uma operadora de telemarketing e uma cantora.

“Eu nem me lembrava do nome dela e precisei revirar meus arquivos para refrescar a memória”, diz Howard à BBC News Brasil.

A modelo tem origem etíope, mora em Toronto e gravou o material em 2011. O filme foi feito junto a uma série de outros produzidos por um diretor também canadense especializado em criar conteúdo para bancos de imagens.

O filme de Bolsonaro tem uma narração que diz: “Sim, sou mulher negra e vinda de família pobre. Mas não passei procuração para que ninguém fale em meu nome. Há muitos (anos) me libertei do vitimismo que ainda insistem em me colocar nos ombros”.

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“Meu voto é Bolsonaro”, continua o texto do vídeo.

Junto a um link para o vídeo, Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter: “Somente a verdade nos liberta. Quem pede tudo ao Estado, tudo lhe é retirado, inclusive a liberdade”.

A ShutterStock, plataforma onde o vídeo foi hospedado, se posicionou pelo Twitter, afirmando que “a área jurídica está neste momento investigando o problema” e tomará “as medidas necessárias”.

Procurada por telefone, WhatsApp e e-mail, a campanha de Jair Bolsonaro indicou a advogada da campanha do filho, Eduardo, como porta-voz para tratar do caso.

A advogada Karina Kufa disse à BBC News Brasil que “não há qualquer ilegalidade no vídeo do ponto de vista eleitoral” e que “nada respinga na campanha”.

Veja a matéria completa na BBC News Brasil

 

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