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16 de abril de 2019, 10h47

Diretor de Tropa de Elite, Padilha admite que errou ao apoiar Moro: “Trabalha para a família Bolsonaro”

"Não há outra explicação: Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro", relata José Padilha, antes de classificar o pacto anticrime de Moro de "pacote pró-milícia"

Moro com Jair e Eduardo Bolsonaro, e José Padilha (Reprodução)
Diretor de Tropa de Elite e da série O Mecanismo, José Padilha fez mea culpa em artigo publicado na edição desta terça-feira (16) da Folha de S.Paulo e admitiu que errou ao apoiar o ministro da Justiça, Sergio Moro, e sua atuação na operação Lava Jato. “Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”, escreve Padilha, após listar cinco pontos sobre a atuação das milícias. “Digo isso porque não...

Diretor de Tropa de Elite e da série O Mecanismo, José Padilha fez mea culpa em artigo publicado na edição desta terça-feira (16) da Folha de S.Paulo e admitiu que errou ao apoiar o ministro da Justiça, Sergio Moro, e sua atuação na operação Lava Jato.

“Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”, escreve Padilha, após listar cinco pontos sobre a atuação das milícias.

“Digo isso porque não há outra explicação: Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro”, relata, antes de classificar o pacto anticrime de Moro de “pacote pró-milícia”.

Padilha, então, volta a listar, desta vez os motivos pelos quais o pacote anticrime vai facilitar a violência policial e auxiliar a atuação das milícias, especialmente com o excludente de ilicitude, tido como uma autorização para os policiais matarem.

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“O hábito que os policiais milicianos têm de plantar armas e drogas nos corpos de suas vítimas para justificar execuções é tão usual que deu origem a um jargão: todo bom miliciano carrega consigo um ‘kit bandido’. Aprovado o pacote de Moro, nem de ‘kit bandido’ os milicianos precisarão mais”.

Padilha diz que ainda que “o juiz Giovanni Falcone, em quem o ministro diz se inspirar, foi morto aos 53 anos de idade na explosão de uma bomba colocada pela máfia em uma estrada”. Porém, ao lado de Bolsonaro, Moro se coloca como um “antiFalcone”. “Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia”.

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