VATICANO

Papa Francisco: "Devemos passar da economia liberal à economia comunitária"

Francisco ainda criticou as "congregações religiosas, quer sejam de cristãos que se atacam". "São uma reedição do farisaísmo mais antigo".

Papa Francisco.Créditos: Vatican News
Escrito en ECONOMIA el

Em encontro com uma delegação do Fundo Global da Solidariedade, que atua em países periféricos na África e América Latina, na manhã desta quarta-feira (25), o papa Francisco criticou mais uma vez a política neoliberal e pregou a "conversão" da economia no mundo.

"A economia precisa de conversão, deve se converter agora. Devemos passar da economia liberal à economia compartilhada pelas pessoas, a uma economia comunitária", disse Francisco.

Na conversa, o papa pediu a formulação de um novo conceito econômico "mais enraizado no povo".

“Não podemos viver com uma economia com raízes liberais e do iluminismo. Nem com uma economia com raízes que vem do comunismo. É necessária uma economia cristã (...). Existem homens e mulheres que estão pensando numa economia mais enraizada no povo", afirmou.

Francisco ainda criticou as "congregações religiosas, quer sejam de cristãos que se atacam".

"Aquelas expressões religiosas – quer sejam de congregações religiosas, quer sejam de cristãos que se atacam para conservar a fé – são uma reedição do farisaísmo mais antigo. Porque eles querem ter a alma limpa, mas com este comportamento talvez terão a alma purificada, porém com o coração sujo pelo egoísmo. Ao contrário, ir as periferias, ir ao encontro das pessoas que não são levadas em conta, os descartados pela sociedade – porque estamos vivendo a cultura do descarte, e se descartam as pessoas – ir ali é fazer aquilo que Jesus fez", disse.

O papa ainda lembrou dos migrantes e pediu que seja um trabalho para integrá-los nos países.

"Com os migrantes, se deve fazer este caminho de integração na sociedade. Não é uma obra de beneficência, com os migrantes, deixando os a própria sorte. Não. É apoiá-los e integrá-los, com a educação, a inserção no mundo do trabalho, com todas estas coisas  (...). Um migrante não integrado está na metade do caminho e isso é perigoso. É perigoso para ele, pobrezinho, porque será sempre um mendicante. É também perigoso para todos. É preciso integrá-los, pois eles não devem ser considerados como uma pedrinha no sapato, que incomoda".