ECONOMIA

O pequeno país africano que multiplicou seu PIB e se tornou potência regional

Além disso, este é o país com maior participação de mulheres no parlamento

Mulheres no parlamento de RuandaCréditos: Reproduçao/Parlamento de Ruanda
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Ruanda se consolidou nas últimas três décadas como um dos exemplos mais marcantes de reconstrução nacional e transformação econômica. Desde 1994, quando o país enfrentava as consequências do genocídio tutsi, o Produto Interno Bruto (PIB) saltou de aproximadamente US$ 752 milhões para mais de US$ 14 bilhões em 2023, segundo dados oficiais.

Entre os anos 2000 e 2010, o crescimento anual do PIB manteve-se entre 7% e 8%, chegando a superar 10% em determinados períodos — como em 2021, quando o índice alcançou 10,86% na recuperação pós-pandemia.

No mesmo intervalo, a renda per capita aumentou de menos de US$ 200 em 1994 para mais de US$ 1.000 em 2023, refletindo avanços significativos nas condições de vida.

E uma particularidade da política do ruandense é a participação feminina. O país africano lidera o mundo na presença de mulheres em cargos públicos. Em dezembro de 2024, elas ocupavam 63,8% das cadeiras na Câmara dos Deputados e mais da metade das vagas no Senado — índices sem equivalentes em nenhum outro país. No Brasil, o Congresso Nacional é composto por apenas 18,1% de mulheres.

Esse cenário resulta de medidas implementadas a partir de 2003, quando a nova Constituição introduziu uma cota mínima de 30% de participação feminina em todos os órgãos eleitos. A medida elevou a representação de mulheres de 17% para quase metade naquele mesmo ano, impulsionando um movimento contínuo de inclusão política.

Além das cotas, o sistema eleitoral ruandês passou por reformas voltadas à ampliação da participação feminina, com assentos reservados e estímulo à candidatura de mulheres em diferentes níveis de governo. Atualmente, elas exercem funções de liderança tanto no Legislativo quanto no Executivo e nas administrações locais.

A economia ruandesa é atualmente sustentada pelos setores de serviços, agricultura e indústria, com políticas governamentais voltadas à diversificação produtiva e à modernização tecnológica. A estabilidade institucional e os investimentos em infraestrutura também contribuíram para manter o ritmo de expansão.

O caso de Ruanda destaca a combinação entre crescimento econômico sustentado e ampliação da igualdade de gênero nas estruturas de poder. O país mantém, assim, um papel singular no continente africano e no cenário político global.

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