O Pix se tornou, em poucos anos, o meio de pagamento mais utilizado do Brasil. Fácil, rápido, gratuito e disponível 24 horas por dia, o sistema transformou transações financeiras. Porém, apesar da enorme popularidade, ainda existe uma dúvida recorrente nas redes sociais e no debate político: quem criou o Pix?
O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil (BCB), por seu corpo técnico, e não por um governo ou político específico. A concepção, desenvolvimento e implementação foram conduzidas de forma autônoma pela autoridade monetária, ao longo de várias gestões presidenciais.
A seguir, entenda em detalhes como o Pix surgiu, quem participou da criação, como ele funciona, por que o sistema virou referência internacional e como se tornou parte do cotidiano brasileiro.
Afinal, quem criou o Pix?
O criador do Pix é o Banco Central do Brasil, através do trabalho técnico de seus servidores. Não houve um “criador individual” nem um presidente da República responsável pela ideia.
- Início das discussões (2014–2016)
As primeiras conversas sobre pagamentos instantâneos no país ocorreram ainda no governo Dilma Rousseff, quando o Banco Central estudava alternativas a TED e DOC. Em 2016, um grupo técnico do BCB publicou um relatório detalhando o conceito de um sistema de pagamentos instantâneos, inspirado no avanço tecnológico mundial.
- Estruturação do projeto (2016–2018)
O projeto ganhou forma entre 2016 e 2018, durante a gestão de Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central, já no governo Michel Temer. Nesse período, o BCB estabeleceu requisitos técnicos, estruturou os princípios do sistema e criou o grupo de trabalho que desenvolveria o novo meio de pagamento.
- Desenvolvimento intenso (2018–2020)
A partir de 2018:
- mais de 130 instituições financeiras participaram dos grupos de discussão;
- o BCB definiu padrões técnicos e regulatórios;
- foram iniciados testes internos do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).
- A marca "Pix" foi apresentada ao público em fevereiro de 2020.
- Lançamento oficial (2020)
O Pix entrou em operação plena em 16 de novembro de 2020, já no governo Jair Bolsonaro. No entanto, todo o planejamento, especificações e desenvolvimento foram feitos muito antes, dentro do Banco Central — que naquele período já operava com maior autonomia.
Por que o Pix foi criado?
O Banco Central tinha três grandes objetivos:
1. Reduzir custos de transações
TED e DOC eram lentos, cobravam tarifas e não funcionavam 24h. O Pix eliminaria barreiras e intermediários.
2. Aumentar a competição no setor financeiro
Com o Pix, pequenos bancos, fintechs e carteiras digitais passaram a concorrer de igual para igual com grandes instituições.
3. Modernizar e incluir
O Pix ampliou o acesso ao sistema financeiro, permitindo transações instantâneas mesmo para quem nunca usou cartões ou serviços bancários tradicionais.
Como o Pix funciona?
O Pix opera por meio de duas infraestruturas principais:
- SPI – Sistema de Pagamentos Instantâneos
É o “coração” do Pix. Nele, as transações são liquidadas em segundos, 24 horas por dia.
- DICT – Diretório de Identificadores
Armazena as chaves Pix (CPF, e-mail, telefone ou chave aleatória) e cruza informações para identificar o recebedor.
Além disso, o Pix permite pagamentos via:
- chave,
- QR Code estático ou dinâmico,
- NFC,
- link de pagamento.
- É possível transferir até mesmo sem chave, apenas com dados bancários tradicionais.
A explosão de popularidade do Pix
O crescimento do Pix é um fenômeno global:
- Em dois anos, ultrapassou 523 milhões de chaves cadastradas.
- Em 2023, já eram 152 milhões de usuários, cerca de 70% da população.
- Em 2024, representou 46% das compras no e-commerce da Nuvemshop.
- Em junho de 2025, bateu recorde: 276,7 milhões de transações em um único dia.
O Pix superou rapidamente:
- boletos,
- TED e DOC,
- cartões de débito,
- transferências bancárias tradicionais.
Hoje, o sistema é aceito até mesmo em Argentina, Portugal, Espanha e plataformas internacionais como Wise.
O Pix e o uso político da desinformação
Em 2022 e nos anos seguintes, surgiram tentativas de atribuir a criação do Pix a governantes específicos, especialmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi classificada como falsa por:
- Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal),
- especialistas em finanças,
- documentos oficiais do BC.
O Banco Central reforça: o Pix é obra dos técnicos da instituição, construída ao longo de múltiplas gestões.
Reconhecimento internacional: o Pix é modelo para o mundo
O Pix virou referência global por sua eficiência. Em 2025, o prêmio Nobel Paul Krugman afirmou que o Brasil “talvez tenha inventado o futuro do dinheiro”, dizendo que o Pix entrega aquilo que os defensores das criptomoedas prometiam sem conseguir realizar.
A adoção massiva brasileira levou até a preocupações de grandes empresas internacionais, resultando em debates e investigações comerciais nos EUA envolvendo gigantes como Visa e Mastercard.
Modalidades do Pix
O sistema evoluiu e hoje inclui:
- Pix Saque: saque em estabelecimentos comerciais;
- Pix Troco: recebimento de troco em dinheiro durante compras;
- Pix Cobrança: alternativa ao boleto bancário;
- Pix Parcelado / Garantido: forma de crédito via Pix;
- Pix Automático: agendamentos recorrentes (próximo de débitos automáticos);
O pix é uma criação do Estado brasileiro — e um patrimônio nacional
A história do Pix mostra que ele:
- não foi criado por um presidente,
- não surgiu em um único governo,
- não pertence a um partido político.
É uma obra técnica, moderna e visionária do Banco Central, construída por servidores públicos ao longo de vários anos e várias gestões.
O Pix se tornou um dos maiores símbolos de inovação financeira do Brasil e colocou o país na vanguarda mundial dos pagamentos instantâneos. Um projeto público, gratuito, eficiente — e profundamente transformador.
Em menos de cinco anos, o Pix deixou de ser uma novidade para se tornar parte essencial da vida econômica, social e digital do país. Seu impacto ultrapassa fronteiras e inspira o mundo. E a resposta para “quem criou o Pix?” continuará sendo a mesma:
O Pix é do Brasil. E foi criado pelo Banco Central do Brasil.