FUNDO GARANTIDOR

Liquidação do Banco Master: processo começa com demissões em massa

O Fundo Garantidor de Créditos estima que os primeiros pagamentos aos investidores possam começar em torno de 30 dias após o início da liquidação

Fachada do Banco Master.Créditos: Divulgação
Escrito en ECONOMIA el

A liquidação do Banco Master e das demais instituições do grupo começou nesta terça-feira em clima de ruptura imediata. Logo ao amanhecer, quando o Banco Central (BC) decretou o encerramento das atividades, a sede do conglomerado passou a ser comandada pelo liquidante nomeado pelo órgão regulador: Eduardo Felix Bianchini, veterano em operações desse tipo e responsável por dissoluções emblemáticas, como as do Banco Cruzeiro do Sul e do Banco BVA.

Desta vez, além de conduzir um processo que deve resultar no maior ressarcimento a investidores já registrado no país, Bianchini enfrenta outro desafio: preservar o funcionamento do Will Bank, o braço digital do grupo — único a não ter sofrido restrições do BC e que atualmente atrai o interesse de fundos internacionais, como o árabe Mubadala.

Cortes imediatos e reestruturação interna

O primeiro dia da intervenção será marcado por demissões expressivas, prática comum em operações de liquidação, mas que ganhou ainda mais força no caso Master pela dimensão do conglomerado e pela paralisação completa das atividades.

Assim que assume o comando, o liquidante bloqueia todos os acessos internos aos sistemas. A partir daí, decide quem volta a ter credenciais liberadas, enquanto identifica áreas que serão mantidas ou descontinuadas. Neste processo, a tesoura costuma ser rápida.

Com as operações suspensas, a área comercial é uma das primeiras a ser desativada, ampliando o volume de desligamentos logo no início da liquidação. Por outro lado, equipes de contabilidade e tecnologia da informação tendem a ser preservadas por serem fundamentais para organizar registros, revisar contas e garantir continuidade dos serviços internos ainda necessários.

O liquidante também pode trazer profissionais externos para reforçar a equipe, revisar documentos, mapear passivos e ativos e preparar os pagamentos ainda obrigatórios — como repasses de cartão de crédito.

BC cita crise de liquidez e violações graves

Segundo o Banco Central, a decisão de liquidar o Master foi motivada por uma grave crise de liquidez e por graves violações regulatórias. As demais empresas do grupo, entre elas o banco de investimento, a corretora e o Letsbank, foram liquidadas por estarem diretamente vinculadas ao Master.

O Banco Master Múltiplo, controlador do Will Bank, não foi liquidado, mas colocado em Regime de Administração Especial Temporária (Raet), também sob comando de Bianchini, com as operações preservadas.

Liquidação ocorre em meio a investigação bilionária

O decreto de liquidação veio acompanhado de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de “fabricação” de carteiras de crédito em transações entre o Master e o BRB, com impacto estimado em R$ 12 bilhões. O dono do grupo, Daniel Vorcaro, e outros dirigentes foram presos.

FGC prepara ressarcimento a 1,6 milhão de credores

Nos primeiros dias da intervenção, o liquidante deve elaborar o balanço de abertura, que será auditado e revelará o tamanho do rombo financeiro. Também é iniciado o levantamento de todos os depositantes e investidores que deverão ser ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ao todo, 1,6 milhão de credores têm valores elegíveis à garantia, somando cerca de R$ 41 bilhões. O FGC estima que os primeiros pagamentos possam começar em torno de 30 dias após o início do processo.

A liquidação do Master tende a se tornar uma das mais complexas da história recente do sistema financeiro brasileiro — marcada por números gigantescos, investigação policial e, sobretudo, uma onda de demissões logo no primeiro dia, que simboliza a quebra abrupta do grupo.

Com informações do Globo

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