Após o mercado financeiro reconhecer pela primeira vez neste ano um recuo na inflação, o movimento se repetiu nesta segunda-feira (24), dois dias após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro violar a tornozeleira eletrônica e tramar um plano de fuga, de acordo com o novo boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil (BCB).
Na semana passada, a estimativa do IPCA estava em 4,46% e, nesta segunda (24), passou para 4,45%. Trata-se de uma alteração equivalente a 0,01 ponto percentual (p.p) em relação a semana passada e 0,11 p.p em relação ao mês passado – demonstrando, assim, uma tendência de queda.
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A narrativa criada pela extrema direita, contudo, era de que a prisão do ex-presidente levaria a uma instabilidade econômica – tese que, de acordo com os dados de hoje, parece falha.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) chegou a pedir para que o país “trocasse de CEO para voltar a funcionar”, em críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, sem mencionar nomes.
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Destaca-se, ainda, que a indicação do presidente do BCB, Gabriel Galípolo, foi feita por um dos braços direitos de Lula no governo, o ministro da Fazenda Fernando Haddad. E que, desde a troca do antigo presidente do BCB, Roberto Campos Neto, por Galípolo, a trajetória benigna da inflação tem sido atribuída ao “novato” e à melhora parcial nas contas públicas neste ano.
Os índices não eram projetados abaixo do limite superior da meta contínua, que fixa o objetivo em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%, desde dezembro do ano passado. Se o número se confirmar, 2025 não registrará “estouro” da meta, após dois anos consecutivos em desacordo com o regime de metas.
Expectativas para os próximos anos
O Boletim Focus manteve estáveis as projeções de inflação de médio prazo, mantendo os valores estabelecidos na semana passada:
- 2026: 4,20%
- 2027: 3,80%
- 2028: 3,50%
A taxa básica de juros (Selic) também apresentou variação. Na semana passada, o valor previsto para 2026 era de 12,25% – nesta segunda-feira, passou para 12%. As previsões para os próximos anos mantiveram seus valores.
No câmbio, o dólar previsto para o fim de 2025 recuou levemente de R$ 5,41 para R$ 5,40 na semana passada, valor este que se manteve. O mesmo ocorreu com o Produto Interno Bruto (PIB), que aponta estabilidade nas projeções para o desempenho da economia, mantendo a previsão de 2,16% para 2025 e 1,78% para 2026.
Por que isso importa?
Inflação mais baixa significa preservação do poder de compra, especialmente das famílias de menor renda, cujos salários não acompanham oscilações abruptas de preços. Também reduz pressão por aumentos adicionais de juros e ajuda na gestão fiscal.