A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), foi a público criticar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BCB), de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, nesta quinta-feira (6).
“A decisão do Copom de manter pela terceira vez a taxa Selic em 15% é prejudicial aos investimentos produtivos, ao acesso ao crédito, à geração de empregos e ao equilíbrio das contas públicas. É prejudicial ao Brasil”, escreveu a ministra Gleisi nas redes sociais.
Gleisi Hoffmann ainda complementou a afirmação, ao dizer que não vê uma justificativa para a decisão da manutenção da taxa selic em 15%. “Nenhuma economia do mundo pode conviver com um juros reais de 10%. Nada justifica uma decisão tão descasada da realidade, dos indicadores econômicos, das necessidades do país”, afirmou a ministra.
A decisão do Copom ocorreu na última quarta-feira (5). Semanas antes, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, tinha sido convocado para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, na terça-feira (28/10), para prestar esclarecimentos sobre os termos do acordo de leniência firmado com seu antecessor, Roberto Campos Neto.
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A previsão é de que ele fale ao Senado no dia 25 de novembro – antes, o dia previsto era a última quarta-feira (5), data que foi alterada e retirada de pauta na casa após proposta do próprio Galípolo.
Entenda a influência da manutenção da taxa básica de juros
A manutenção da taxa de juros em 15% prejudica a economia porque encarece o crédito, pode desestimular o consumo das famílias e inibir ainda os investimentos produtivos das empresas.
Quando os juros estão muito altos, tomar empréstimos para comprar casa, carro ou ampliar um negócio fica mais caro, o que reduz a circulação de dinheiro e freia o crescimento econômico. Além disso, os altos rendimentos de aplicações financeiras fazem com que o capital seja direcionado para o mercado financeiro, e não para a produção, travando a geração de empregos e a expansão da indústria.
Na prática, juros elevados por muito tempo mantêm o país em um ciclo de baixo crescimento, e beneficia grandes investidores e o sistema financeiro em si, especialmente bancos e fundos de investimento, devido à rentabilidade dos títulos públicos. Assim, quem tem um capital acumulado ganha mais dinheiro sem precisar correr riscos.