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09 de fevereiro de 2012, 09h56

Educação, a pauta prioritária

Editorial Por Revista Fórum   O espinhoso tema da educação ainda vai merecer, por muito tempo, muita discussão no interior da sociedade brasileira, principalmente por parte dos setores progressistas, que assumem o compromisso de encarar sem véus a realidade de exclusão e desigualdade que vivemos. Entrevistado principal desta edição, o filósofo e educador Mario Sergio Cortella situa a discussão num patamar que é bastante realista, com uma visão ao mesmo tempo pragmática e comprometida com a democratização da escolarização no país. As opiniões que Cortella expressa nesta entrevista tomam como ponto de partida uma ideia genial de Darcy Ribeiro: muito...

Editorial

Por Revista Fórum

 

O espinhoso tema da educação ainda vai merecer, por muito tempo, muita discussão no interior da sociedade brasileira, principalmente por parte dos setores progressistas, que assumem o compromisso de encarar sem véus a realidade de exclusão e desigualdade que vivemos. Entrevistado principal desta edição, o filósofo e educador Mario Sergio Cortella situa a discussão num patamar que é bastante realista, com uma visão ao mesmo tempo pragmática e comprometida com a democratização da escolarização no país.

As opiniões que Cortella expressa nesta entrevista tomam como ponto de partida uma ideia genial de Darcy Ribeiro: muito se diz sobre crise da educação, mas como uma crise pode se perenizar? A crise é na verdade um modelo – equivocado – de educação no país. Só se supera esse sentimento reavaliando o modelo vigente, para aí propor e implementar um novo, capaz de lidar com os problemas concretos que existem na realidade brasileira, sem importar ou generalizar fórmulas, mas dando condições para que os diferentes setores da sociedade construam suas próprias soluções, condizentes com suas realidades específicas.

Neste sentido, os meios de comunicação têm um papel fundamental, de pautar essa discussão e fornecer os subsídios que a sociedade necessita para dar qualidade e profundidade ao debate. Mas Cortella toca em um ponto relevante.

Questionado a respeito do fato de a educação ter sido um dos temas centrais nas últimas eleições presidenciais, respondeu que o tema “perdeu o fôlego, por uma razão: algo só é assunto se a mídia pautar. Senão, sai do circuito”.

São dois lados da mesma moeda. Apesar de sua centralidade, a educação parece ser alvo de debate apenas em períodos eleitorais. É aí que políticos expõem seus pontos de vista, muitas vezes questionáveis, a respeito dos problemas da área, e não encontram eco e tampouco contestação da sociedade. Os eleitores, que expressam em pesquisas de opinião uma suposta preocupação com o tema, pouco se preocupam com uma questão que é muito mais complexa do que parece. Cabe a um veículo como Fórum o papel de trazer pontos de vista consistentes sobre a educação, talvez o elemento mais estratégico no processo de transformação social que queremos. Neste contexto, conhecer as ideias de Cortella é, sem dúvida, fundamental.

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