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23 de maio de 2019, 20h57

Eleições Europeias: Abstenção e fantasma nacional-populista ameaçam o futuro do bloco

Pesquisas indicam que as bancadas que mais crescerão são a dos agrupamentos de extrema-direita; seria essa eleição uma ante-sala para o fim da Europa de paz como conhecemos a partir da segunda metade do século XX?

Foto: EuroNews
Com mais de 700 cadeiras em jogo, as eleições do Parlamento Europeu que acontecem em cada país do bloco a partir do próximo dia 26 devem confirmar a força das duas primeiras bancadas do bloco continental – mas não de forma tranquila como em outros tempos. As bancadas do Partido Popular Europeu e da Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (das siglas EPP e S&D, em inglês), da alemã Angela Merkel e do espanhol Pedro Sánchez, respectivamente, provavelmente verão uma queda significativa em seus números de eurodeputados. As duas composições que hoje fazem parte da base de apoio do presidente...

Com mais de 700 cadeiras em jogo, as eleições do Parlamento Europeu que acontecem em cada país do bloco a partir do próximo dia 26 devem confirmar a força das duas primeiras bancadas do bloco continental – mas não de forma tranquila como em outros tempos.

As bancadas do Partido Popular Europeu e da Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (das siglas EPP e S&D, em inglês), da alemã Angela Merkel e do espanhol Pedro Sánchez, respectivamente, provavelmente verão uma queda significativa em seus números de eurodeputados.

As duas composições que hoje fazem parte da base de apoio do presidente da Comissão Europeia – Jean-Claude Juncker – desde 2014, apesar de terem posicionamentos diferenciados em vários temas e manter brigas em várias situações, fazem frente à crescente onda de extrema-direita que assolou a Europa nos últimos anos.

Os extremistas de direita questionam as estruturas políticas da UE, a atuação da Otan, o Euro, a transição para energias renováveis, o livre movimento de mercadorias e pessoas, o casamento para o mesmo sexo, mas principalmente a política do bloco para imigrantes e refugiados, muitas vezes com posições claramente racistas expressadas através de seus líderes.

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Neste sentido, as pesquisas indicam que as bancadas que mais crescerão são a dos agrupamentos de extrema-direita, em especial aquele liderado por Marine Le Pen e Matteo Silvini, o Movimento pela Liberdade das Nações Européias (ENF), e a bancada dos liberais, da Aliança Liberal Democrata (ALDE), liderada pelo ex-primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt. Assim, os liberais podem se tornar a terceira bancada e os extremistas de direita, a quarta.

Curiosamente, as expectativas sobre as eleições europeias variam bastante entre os cinco países europeus de maior PIB, inclusive contradizendo as próprias eleições locais, como é o caso francês e britânico. Na Inglaterra, por exemplo, os extremistas, liderados por Nigel Farage – figura emblemática do Brexit – lideram com folga a corrida, apesar do crescimento extraordinário nas eleições locais dos liberais há algumas semanas.

Por outro lado, na Itália, Espanha e na Alemanha, as pesquisas mostram que os resultados devem acompanhar o quadro político nacional, em que os partidos governistas liderariam a corrida para o parlamento europeu: a Liga, os Socialistas do PSOE e os conservadores do CDU, respectivamente.

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Muito além dos resultados pontuais e das pesquisas em si, com 3 dias para a eleição do Parlamento Europeu, a abstenção e o fantasma do nacional-populismo ameaçam o futuro do bloco.

O histórico de baixa participação eleitoral somado ao crescente discurso anti-UE, nacional-populista e muitas vezes xenófobo, retoma comportamentos perigosos e típicos do período entre guerras, que resultaram na morte de milhões de pessoas no continente.

Seria essa eleição uma ante-sala para o fim da Europa de paz como conhecemos a partir da segunda metade do século XX?

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