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30 de setembro de 2018, 09h42

#Elenão e #elestambémnão: derrotar os neofascistas e os neoliberais

Aparentemente há uma divisão no andar de cima. Uma parte já aderiu ou prepara sua adesão ao bonde do militar. Outro setor tenta desesperadamente empurrar o tucano pro segundo turno

Foto: Ricardo Stuckert

O fracasso eleitoral de Alckmin (representante oficial do golpismo e do mercado), a ascensão de Haddad e a resiliência da candidatura neofascista tornam o cenário muito mais turbulento nessa reta final.

Aparentemente há uma divisão no andar de cima. Uma parte já aderiu ou prepara sua adesão ao bonde do militar. Outro setor tenta desesperadamente empurrar o tucano pro segundo turno. Alguns outros já se posicionam para o “terceiro turno” – ou seja, aceitar a provável vitória petista e cooptar, chantagear e sequestrar o futuro governo.

Enquanto isso, o candidato do ódio dá sinais em direção ao golpismo explícito. Ao dizer  que não aceitará nenhum resultado que não sua vitória, deixa, desde já,  sua base social e setores militares excitados.

As gigantes mobilizações deste sábado, 29, já são história. O maravilhoso movimento  #elenão  – protagonizado pelas mulheres  – é um embrião potente de uma gigantesca  frente democrática que pode impedir a vitória eleitoral do capitão.

Ganhar as eleições e eleger Haddad será um feito grandioso. Derrubaram Dilma, prenderam Lula e podem ser derrotados no voto. Não é pouca coisa. Mas, infelizmente, será uma vitória parcial. Porque o golpismo continuará ativo.

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A luta continuará. Garantir a posse de Haddad, libertar Lula, viabilizar o governo.

Por isso, o #elenão precisa ser politizado. Não basta barrar o capitão – é necessário derrotar o programa neoliberal, o governo Temer, o PSDB e a grande mídia.

O PT, o PCdoB, os movimentos sociais temos o desafio de hegemonizar  com nossa plataforma a frente antifascista que começa a se formar e terá seu auge no segundo turno.

É insuficiente apenas dizer não ao monstro autoritário.

Também queremos derrotar o PSDB e outros golpistas liberaloides, que agora fingem não ter nada a ver com o governo Temer e posam agora de “democratas”.

Vejam bem: isso não significa estreitar alianças. Pelo contrário. Não basta apostar na negativa. Haddad vai apresentar um projeto para o Brasil. Esse programa tem como base revogar as medidas de Temer, retomar os investimentos, as políticas sociais  e fazer a economia girar.

Sim, seremos a vanguarda de um movimento anti-racista, feminista, pró-direitos humanos, libertário, defensor da diversidade e do pluralismo.

Essa plataforma ampla, entretanto, não dá conta da batalha. Ao mesmo tempo, a campanha Lula/Haddad/Manu  deve afirmar o nosso projeto de desenvolvimento  para o Brasil, com reformas estruturais para distribuir renda, democratizar o Estado e retomar a soberania nacional.

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Ou seja: a luta antifascista deve, desde já, ganhar um conteúdo programático progressista, demarcando claramente com os neoliberais oportunistas.

Nem o inominável, nem os golpistas.

#haddadcontraofascismo

#haddadcontraoneoliberalismo