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30 de janeiro de 2019, 08h39

Elio Gaspari escreve sobre governo Bolsonaro: “plataforma conservadora com propostas atrasadas”

“Brumadinho e suas relações com Fabrício Queiroz mostraram a Jair Bolsonaro o verdadeiro rosto do atraso”, escreve o jornalista

Foto: Arquivo
O jornalista Elio Gaspari, autor de uma coleção com cinco volumes sobre a ditadura militar, foi parar nos trend topics do Twitter por conta de seu artigo desta quarta-feira (30), na Folha, “O conservador e o atrasado”, onde separa os dois conceitos e explica as razões do presidente Jair Bolsonaro se colocar, sobretudo, no primeiro item. De acordo com o jornalista, “Bolsonaro elegeu-se presidente da República com uma plataforma conservadora, amparado pelo atraso. Sua campanha contra os organismos defensores do meio ambiente foi a prova disso. Não falava em nome do empresariado moderno do agronegócio, mas da banda troglodita que se...

O jornalista Elio Gaspari, autor de uma coleção com cinco volumes sobre a ditadura militar, foi parar nos trend topics do Twitter por conta de seu artigo desta quarta-feira (30), na Folha, “O conservador e o atrasado”, onde separa os dois conceitos e explica as razões do presidente Jair Bolsonaro se colocar, sobretudo, no primeiro item.

De acordo com o jornalista, “Bolsonaro elegeu-se presidente da República com uma plataforma conservadora, amparado pelo atraso. Sua campanha contra os organismos defensores do meio ambiente foi a prova disso. Não falava em nome do empresariado moderno do agronegócio, mas da banda troglodita que se confunde com ele. Felizmente, preservou o Ministério do Meio Ambiente”, disse.

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Além disso, Gaspari ainda chama a atenção para o que ele chama da defesa da lei e da ordem, um dos fatores primordias que levou Bolsonaro ao poder. “A conexão dos ‘rolos’ de Fabrício Queiroz com as milícias do Rio de Janeiro ilustrou quanto havia de atraso na sua retórica. (O Esquadrão da Morte do Rio surgiu em 1958 e anos depois alguns de seus “homens de ouro” tinham um pé no crime.)”, lembra o jornalista.

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Gaspari adverte então que, “com menos de um mês de governo, Jair Bolsonaro foi confrontado pela diferença entre conservadorismo e atraso. Seu mandato popular ampara-se numa plataforma conservadora com propostas atrasadas. Muita gente que votou nele pode detestar o Ibama e as ONGs do meio ambiente. Também pode achar que bandido bom é bandido morto”, escreveu.

E então adverte: “quando acontecem desgraças como Brumadinho ou quando são expostas as vísceras das milícias e seus mensalinhos, essas mesmas pessoas mudam de assunto e o presidente fica só, como ficou o general João Figueiredo depois do atentado do Riocentro”, afirma.

Ao final, o jornalista diz que “durante a campanha eleitoral, quando confrontado com os problemas que encontraria na Presidência, Bolsonaro repetia um versículo do Evangelho de João: ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’’, diz.

“Brumadinho e suas relações com Fabrício Queiroz mostraram a Jair Bolsonaro o verdadeiro rosto do atraso”, encerra.

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