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31 de março de 2019, 08h24

Em Israel, Bolsonaro diz que “governo está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel”

Presidente também afirmou que “felizmente, retornamos o tratamento equilibrado nas questões do Oriente Médio”

Foto: Pedro Moreira
Por Pedro Moreira, de Tel Aviv, especial para a Fórum O presidente Jair Bolsonaro afirmou, no seu primeiro discurso em solo israelense, neste domingo (31), que seu governo “está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel”. Em outro momento, o presidente brasileiro disse que “felizmente, retornamos o tratamento equilibrado nas questões do Oriente Médio”. No último dia 22, o Brasil votou contra duas resoluções do Conselho de Direitos Humanos da ONU relacionadas a territórios ocupados por Israel. Posicionando-se, portanto, a favor do país, em um gesto que foi visto como uma drástica mudança da tradição diplomática brasileira. Ele...

Por Pedro Moreira, de Tel Aviv, especial para a Fórum

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, no seu primeiro discurso em solo israelense, neste domingo (31), que seu governo “está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel”.

Em outro momento, o presidente brasileiro disse que “felizmente, retornamos o tratamento equilibrado nas questões do Oriente Médio”.

No último dia 22, o Brasil votou contra duas resoluções do Conselho de Direitos Humanos da ONU relacionadas a territórios ocupados por Israel. Posicionando-se, portanto, a favor do país, em um gesto que foi visto como uma drástica mudança da tradição diplomática brasileira.

Ele também disse que a amizade entre brasileiros e israelenses é histórica. Para, em seguida, defender que “tivemos um pequeno momento de afastamento. Mas deus sabe o que faz. Voltamos”.

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Para Bolsonaro, “brasileiros e israelenses compartilham valores, tradições culturais, o apreço à liberdade e à democracia”.

Falou, ainda, que “juntas, nossas nações podem alcançar grandes feitos. Temos que explorar esse potencial, é isso que pretendemos fazer nessa visita”.

Bolsonaro enfatizou a rapidez com que incluiu Israel em seu roteiro de viagens internacionais. Disse ser uma honra voltar ao país e enfatizou quer realiza “essa visita antes mesmo de completar meus cem dias de mandato”.

Bolsonaro voltou a mencionar uma frase que usou ao longo da campanha eleitoral. “Nós sabemos que Israel não é tão rico quanto o Brasil em recursos naturais, entre outras coisas. Mas (eu) dizia: olha o que eles não têm e veja o que eles são. E daí eu falava pros meus irmãos brasileiros: olhe o que nós temos e veja o que nós somos”.

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E profetizou: “como poderemos ser iguais a eles? Temos de ter a mesma fé que eles têm. E com esse sentimento e usando também uma passagem bíblica, João 8:32 que diz, ‘e que conheceis a verdade e a verdade voz libertará’, conseguimos vencer desafios do Brasil”.

O Presidente citou, ainda, o atentado que sofreu durante a campanha. “Dois milagres aconteceram comigo. Um é estar vivo. Fui muito bem atendido, num segundo momento, no hospital Albert Einstein, em são Paulo, pelas mãos daqueles profissionais de saúde, bem como anteriormente da Santa Casa de Saúde de Juiz de Fora. E com toda certeza, novamente pelas mãos de Deus, consegui sobreviver e também ser eleito presidente da República num clima completamente hostil à minha pessoa. Mas eu tinha uma coisa que os outros não tinham. Eu tinha o povo ao meu lado”.

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Ele agradeceu a participação de Netanyahu em sua cerimônia de posse. E o envio, por Israel, de equipes de busca e salvamento, para ajudar nos trabalhos de resgate da tragédia do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (MG).

E citou alguns temas que deverão ser tratados durante a visita. “A cooperação nas áreas de segurança e defesa também interessam muito ao Brasil. Eu e meu amigo Netanyahu pretendemos aproximar nossos povos, nossos militares, nossos estudantes, nossos cientistas, nossos empresários e nossos turistas”.

Bolsonaro abriu o discurso em solo israelense chamando Netanyahu de prezado amigo e irmão. Depois, referiu-se à visita anterior que fez ao país, em 2016.

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“Há dois anos estive em Israel, visitei o rio Jordão. Por coincidência meu nome também é messias. Senti-me emocionado naquele momento. Aceitei o convite de um pastor da nossa comitiva e desci nas águas do rio Jordão. Uma emoção, um compromisso, uma fé verdadeira que me acompanhará pelo resto da minha vida”, disse, em português, com tradução simultânea para o anfitrião.

No mesmo dia em que o então deputado federal era batizado pelo pastor Everaldo, presidente do PSC, antigo partido do Presidente, O Senado Federal aprovava por 55 votos a 22 o afastamento por até 180 dias da ex-Presidenta Dilma Rousseff, que foi substituída no cargo pelo então vice-presidente, Michel Temer, para não mais retornar.

A fala de Bolsonaro, de cerca de cinco minutos, ocorreu na cerimônia de boas-vindas organizada pelo governo local no aeroporto Internacional Bem Gurion, em Tel Aviv. O avião presidencial pousou às 9h43 pelo horário local, 3h43 pelo horário de Brasília.

A aeronave estacionou em frente a uma grande estrutura coberta, montada especialmente para a ocasião e que protegeu as autoridades e demais participantes da forte chuva e ventania que atinge a região, num inverno que tem durado mais tempo do que os moradores locais estão acostumados.

Seguindo o protocolo, o embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos subiu ao avião e convidou Bolsonaro a desembarcar. Ao pé das escadas, aguardavam o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e sua esposa Sara Netanyahu. Juntos, eles passaram as tropas em revista e cumprimentaram autoridades.

O primeiro a falar foi o anfitrião. No discurso em hebraico, traduzido simultaneamente para Bolsonaro, Netanyahu chamou o convidado de “meu amigo” e disse que eles estão “fazendo história juntos”. Também prometeu a assinatura de vários acordos bilaterais, incluindo questões de segurança.

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Netanyahu afirmou que “o Brasil é um país enorme, com enorme potencial”. E que acredita que sob a liderança de Bolsonaro “esse potencial seria cumprido”.

O primeiro-ministro fez referência, ainda, aos recentes acontecimentos em Gaza, que elevaram a tensão entre Israel e os grupos militantes que atuam no enclave palestino. “Você chegou a Israel em um tempo tenso, é por isso que eu dei instruções para manter posicionadas as forças do Exército israelense, incluindo tanques. E se formos chamados a isso, vamos nos engajar em uma campanha pela segurança de Israel.”

No primeiro dia da visita oficial, estão previstos a assinatura de acordos nas áreas de ciência e tecnologia, defesa, segurança pública, saúde e medicina. Bolsonaro também participa de um jantar oferecido por Netanyahu e sua esposa, Sara Netanyahu, na residência oficial.

Ironicamente, durante as manobras de aproximação, O avião presidencial, modelo Airbus A319 precisou sobrevoar um pequeno trecho da Cisjordânia. Região ocupada por Israel e que compreenderia um futuro Estado da Palestina.

Trajetória do avião de Bolsonaro, de acordo com o App FlightRadar24

A agenda de Bolsonaro não inclui passagens pelos territórios palestinos, nem encontros com representantes de entidades árabes. Mas inclui uma controversa visita a locais sagrados na Cidade Velha de Jerusalém, que também fica em uma região considerada ocupada ilegalmente por Israel em resoluções da ONU.

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