Golpe colorido na Bielorrússia (II): o projeto liberal da oposição

Vale tudo para levar o “modelo democrático ocidental” à ex-república soviética liderada por Lukashenko. Dos protestos ao discurso propalado na imprensa mundial, o interesse por trás das manifestações é econômico e geopolítico

Conforme exposto na primeira parte desta reportagem, o governo Lukashenko em época de crise mundial foi balançado com a investida da oposição bielorrussa após as eleições, em especial porque estava estremecido com o forte parceiro Putin, sem poder nele se apoiar. Mas diante do perigo, essa distância entre Moscou e Minsk logo voltaria a ser uma boa amizade.

De volta aos protestos bielorrussos, vejamos como se deu este roteiro clássico de golpe neoliberal, segundo o modelo da “primavera dos povos”, cuja sequência passa por uma atuação determinada do Ocidente, que abraça rápida e estrategicamente a causa da caloura da política Svetlana Tsikhanouskaia, ao mesmo tempo que esculacha Lukashenko diante da opinião pública. Note-se que este líder é o mesmo que, há cinco anos, fora reconhecido pelo Ocidente como presidente “legitimamente eleito” – em um pleito cujas porcentagens foram muito similares às atuais.

Protestos da oposição e apoio do Ocidente

O caso bielorrusso se deu de modo mais veloz que noutros golpes. Em pouco tempo após o início das manifestações de rua, alguns estrategas mais audaciosos já aventavam erguer Svetlana ao pódio, enquanto presidenta “de direito”. Neste caso, desde o exílio, para onde fugiu logo nos primeiros dias de protesto, ela seria a destinatária responsável pelos amplos “fundos de auxílio” (ou mais precisamente de “desestabilização nacional”) – tal qual fizeram com o fantoche venezuelano autoproclamado, Juan Guaidó.

Não chegaram (ainda) a tanto. Talvez por erros políticos da própria líder opositora, que alteou demais a voz, quando não tinha ainda suficiente audiência para fazê-lo, ao ameaçar Lukashenko [1], caso não renunciasse, com uma manifestação de proporções nunca antes vistas, ao lado de uma greve geral que pararia completamente o país.

Nem uma coisa, nem outra. Nem a manifestação pós-ultimato (cujo prazo foi este 25 de outubro) foi tão grande assim, nem as greves pararam mais do que pequenas parcelas de algumas fábricas menores. Segundo entrevista exclusiva para esta reportagem, o engenheiro da Petrobrás e pesquisador de energia e geopolítica, Paulo Henrique Tavares, que vive entre a Bielorrússia e a Rússia (onde trabalha em seu doutorado), afirma que na manifestação do “ultimato”, em Minsk, não tinham mais que 10 mil pessoas nas ruas. Ou seja, um décimo do que foi estimado na primeira (que se deu logo após as eleições).

Diante das evidências, inclusive um dos pilares da mídia conservadora brasileira, a Folha de São Paulo [2] foi obrigada a admitir, no dia seguinte, o “fracasso” da convocatória opositora.

Mas se Svetlana se equivocou no gesto político um tanto soberbo, não se deve por isso negligenciar sua astúcia e força. Observada mais de perto, a professora, agora líder opositora, não parece nem tão idealista, nem tão desprotegida como a mídia ocidental tem tentado retratá-la, e sua posição atual de liderança tampouco parece ser uma casualidade, ocorrida no calor do “clamor democrático”.

Sigamos a trilha opositora e vejamos o outro lado da questão: quem é esta oposição a Lukashenko? Onde deseja chegar com seu discurso liberal e clamores às potências ocidentais? E quais são suas propostas (tão distantes da sonhada “oposição à esquerda” que alguns sinceros analistas críticos acreditam ver se alçando contra o atual líder cambaleante)?

Oposição bielorrussa: comprando neoliberalismo

A atual líder dos protestos bielorrussos, Svetlana Tsikhanouskaia, vem inflamando as ruas do país (ao menos nas maiores cidades). Anteriormente, ela não tinha nenhuma passagem pela política, até que – segundo ela – resolveu assumir a dianteira, motivada pela prisão do marido, um famoso blogueiro político que pouco antes tinha se lançado à presidência.

Depois de não reconhecer a vitória de Lukashenko no pleito de agosto, Tsikhanouskaia insuflou seus partidários a ocuparem as ruas de Minsk. A polícia bielorrussa, que não é nenhuma PM brasileira, usou balas de borracha e interveio com firmeza, ainda que não se possa comparar com o sangue que escorre das crônicas policiais cotidianas da periferia de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

A “violência” de borracha e gás foi o suficiente para o Ocidente – e os mercados – clamarem pela renúncia do “ditador” reeleito, ameaçando reconhecer como presidenta a opositora Svetlana, bloqueando recursos econômicos e pessoais do estado e dos líderes bielorrussos (tal como fizeram na Venezuela).

Vendo o país desestabilizado, Tsikhanouskaia partiu para a vizinha Lituânia, que em nome da UE, acolheu como “exilada” a líder supostamente ameaçada. Instalada na capital Vilnius, ela afirmou que deixou o país “por seus filhos”, em uma “decisão difícil”.

Mas antes de discorrer sobre Svetlana e seu projeto, vejamos quem são alguns importantes atores da oposição bielorrussa.

Outros líderes opositores

O influenciador digital Sergei Tsikhanouski, seu esposo, foi detido em maio, por acusações de distúrbio violento da ordem, incluindo agressão a um policial por parte de seu grupo. Pouco depois, uma busca policial em sua casa de campo apreende centenas de milhares de dólares [3]. Questionada pelo caso, Svetlana se limitou a mostrar-se surpreendida, afirmando enigmaticamente que “não temos riqueza, se tivéssemos iríamos levar uma vida melhor”.

Tsikhanouski é natural de Gomel, segunda cidade do país. Estudou humanidades e logo abandonou a área, investindo na carreira de empreendedor de sucesso, conforme conta em entrevista [4]. Abriu e passou a gerenciar algumas boates, atividade que o levou a trabalhos como o de produção de espetáculos musicais, eventos e vídeos. A partir daí, passa a fazer filmes publicitários, abrindo escritórios na Ucrânia e Rússia.

Sua ascensão pública se daria justamente neste percurso de produtor de videoclipes, quando tem a bem-humorada ideia de ganhar nome zombando de Lukashenko, convidando oponentes do governo para vídeo-debates, e chegando a realizar um documentário sobre os protestos opositores de 2010, ocorridos em Minsk. Seu canal de vídeo no Youtube, “Um país para a vida” [5] – que explora histórias de bielorrussos “comuns” e casos “reais” de empresários “que ajudarão a construir um país para a vida” – foi lançado em 2019 e conseguiu atrair 140 mil assinantes.

Outro possível candidato, até então voz ativa da oposição liberal – o banqueiro Viktor Babariko – estava impedido de candidatar-se, pois responde a processo por peculato e lavagem de dinheiro. Em suas propostas de pré-campanha, o milionário opositor defendia “reformas e privatizações”, visando o enxugamento do estado (de bem-estar social) – ressaltando ou mesmo admitindo, contudo, que para tanto o estado deveria arcar também com o ônus de previamente “criar empregos para aquelas pessoas que podem ficar desempregadas”.

Foi assim que a “responsabilidade” por liderar os opositores liberais recairia sobre Svetlana. Mas não de modo assim tão casual, como ela sugeriu em declaração à mídia.

Foto: Paulo Henrique Tavares

Svetlana Tsikhanouskaia: desde jovem nos braços do Ocidente

A atual líder Svetlana foi uma das afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl (1986), episódio trágico que seria amplamente usado pelo Ocidente como arma retórica antissoviética, nos anos finais da Guerra Fria.

De acordo com artigo do portal russo pró-ocidental The Moscow Times [6], ela, na época uma adolescente, foi convidada por uma ONG a viajar com tudo pago para a Irlanda – estado-membro da UE que, embora declaradamente “neutro” na Guerra Fria, apoiava habitualmente seus vizinhos da OTAN. Um membro da família irlandesa que a recebeu, David, filho de Henry Dean (um dos mentores deste projeto “filantrópico”, de apoio às vítimas da tragédia), afirma em entrevista que as crianças convidadas “ficaram muito impressionadas com o padrão de vida muito mais elevado do que o da Bielorrússia”, apesar de que a Irlanda de então era um país socialmente “mediano”, se comparado aos demais do Ocidente. Segundo David, foi neste processo que Svetlana – assim como as outras crianças – aprenderam a se questionar sobre os porquês de na Bielorrússia elas não poderem “ter tudo o que eles têm na Irlanda”.

A maioria das crianças do projeto viajou somente em uma ou duas oportunidades ao país insular, mas Svetlana retornaria lá “por oito anos e, assim, ela se tornou mais próxima da comunidade local”, tendo trabalhado em uma fábrica irlandesa, e também como tradutora. A matéria afirma ainda que foi assim que a líder da oposição passou a frequentar a Europa Ocidental, onde cultivou a “independência”, o “talento de liderança” que a caracteriza. E possivelmente, a visão elitista ocidentalizada que vem demonstrando em suas propostas para o país, ora expostas no programa de sua candidatura.

É esta, brevemente, a trajetória de Svetlana, bem formada no caldo cultural europeu-ocidental.

Exportando “democracia”: Washington no coração dos golpes

Em se falando de financiamento externo de ONGs voltadas à “formação de lideranças” e promoção da “democracia” (em países rivais da OTAN), abre-se aqui um parêntesis para mencionar que, na mesma linha de seduzir jovens promissores e formá-los conforme a visão neoliberal de mundo, trabalha o National Endowment for Democracy (NED) – “Fundo Nacional para a Democracia”. Financiado pelo governo dos EUA e atualmente bastante focado na Bielorrússia, onde desenvolve vários de seus projetos de “exportação da democracia”, o NED é um grande incentivador das forças da oposição.

Olga Kovalkova, por exemplo, uma das protagonistas da campanha de Svetlana Tsikhanouskaia, é graduada pela Eastern European School of Political Studies, instituição patrocinada pelo NED – e que dispõe também de recursos da USAID (Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA), Fundação Rockefeller, União Europeia e fundos de programas da própria OTAN.

Em 2019, o NED listou em sua página cerca de 34 doações para seus projetos na Bielorrússia – de acordo com reportagem do portal canadense Mondialisation [7]. Os objetivos, menos ou mais explícitos, desses projetos é o de apoiar a formação técnica, jurídica e política de grupos de oposição ao governo Lukashenko, fomentando a criação de ONGs pró-ocidentais no país. São projetos que envolvem setores importantes para a desestabilização de um país, como o desenvolvimento “de estratégias de advocacia”, ou de um “repositório em rede de publicações que não são facilmente acessíveis” (obras políticas, históricas, ou de direitos humanos, segundo a visão ocidental), ou ainda incentivos para a defesa de “jornalistas e da mídia independente”, além de doações concedidas à “formação de partidos e movimentos democráticos para campanhas eficazes de conscientização”.

Por trás dos projetos do NED, que se pintam sob uma aura de inocência, uma análise um pouco mais atenta pode vislumbrar um modelo de formação continuada de opositores pró-Ocidente, com vistas a difundir as chamadas “revoluções coloridas”. Segundo o próprio portal do NED [8], foram doados, em 2019, centenas de milhares de dólares a projetos como “Liberdade de informação”, “Ideias e valores democrático”, “Apoio à sociedade civil”, “Apoio a um jornal independente”, “Fortalecimento de ONGs”, “Promoção do engajamento do cidadão”, “Instituto Democrático Nacional para Assuntos Internacionais” e  “Promoção do discurso público independente e valores democráticos”… E por aí vai.

De volta a Svetlana, destinatária, como seu marido, de muita atenção e apoio ocidental (como se tem observado em seus encontros fraternais com líderes de potências europeias), atentemos então a seu programa de governo [9] (recentemente retirado do ar), cujas propostas são vagas e até primárias. Esquivando-se de temas fundamentais (educação, saúde, política econômica), o programa, quando aborda tais questões, o faz de uma maneira superficial e populista, tratando problemas concretos de um modo genérico, como por exemplo promover o “combate à corrupção” e ao “autoritarismo” ou ainda “democratizar e modernizar” a Bielorrússia, prometendo como plataforma de governo [10] “a celebração de eleições democráticas seis meses após eleita” (!), e a “libertação de presos políticos”, “principalmente [sic] jornalistas ativistas e blogueiros [!!!]”.

De propositivo mesmo, seu programa tem poucas linhas, ainda que nelas um bom entendedor possa compreender um pouco a que veio e onde quer chegar esta opositora formada na Europa rica: planos de incentivos para a iniciativa privada, privatizações de empresas “deficitárias” (ou que seu governo torne deficitárias?) e – claro – aproximação com a União Europeia e afastamento da Rússia.

Especificamente sobre o tema econômico [11], o programa afirma que “vamos remover as barreiras para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas”, assim como “deixe as pessoas criarem empregos elas mesmas”. Prevê ainda a realização de uma série de “reformas destinadas a reduzir os impostos das empresas, privatizar e apoiar os pequenos empreendimentos”. O discurso em louvor da suposta meritocracia liberal fica ainda mais evidente na seguinte passagem: “existem muitas pessoas inteligentes, talentosas e corajosas no país, que devem ter permissão para empreender, de modo eficaz, o que aumentará os salários”, numa provável referência à pequena parcela de “empreendedores de sucesso” que escaparão, “por mérito”, do desemprego, após as privatizações.

Defende também a valorização da cultura bielorrussa [12], ainda que em seus discursos e declarações costume falar o russo (quando não o inglês). Segundo dados de 2009, somente um terço dos cidadãos falam o bielorrusso, sobretudo no interior. Já quanto a sua política externa, ela acena ao Ocidente, embora afirme “ que queremos ser independentes, encontrar amigos, não inimigos” – como que demonstrando inocência a respeito dos conflitos sociais que movem a história, incluindo a de seu país.

Atualmente, desde seu exílio na UE, Svetlana se encontrou com líderes europeus, como Macron e Merkel, a quem clama para que sejam estabelecidas sanções econômicas contra seu país [13]. “As sanções são muito importantes em nossa luta, porque são parte da pressão que pode forçar as autoridades a iniciar um diálogo conosco”, afirma a opositora. De fato, as sanções piorariam a situação social de seu povo, já insatisfeito com a crise – mas ela já está longe. E enquanto isso, o estratega Lukashenko viaja a Sochi, para fazer as pazes com Putin.

Finalmente, para apoiar as conjecturas do leitor ainda com dúvidas quanto aos objetivos da oposição, veja-se ainda que, apesar de ter concorrido como “independente”, Svetlana tem o apoio de todo o espectro conservador bielorrusso, notadamente os tradicionais Partido Socialdemocrata  e o Partido Cívico Unido (ambos de tendência neoliberal e pró-Ocidente!).

Cenas dos próximos capítulos do golpe colorido bielorrusso devem passar pelas eleições estadunidenses. Como se tem visto nos últimos tempos, os “republicanos”, como Trump, têm reagido ao declínio da hegemonia de seu país de modo mais defensivo (apesar da retórica), enquanto os ditos “democratas”, como Obama, foram dos que mais intervieram militarmente mundo afora. Neste caminho, o potencial presidente “democrata” Biden já começa a erguer sua voz belicosa [14], afirmando que a “comunidade internacional deve aumentar significativamente suas sanções” ao governo Lukashenko e seus aliados, inclusive “congelando” seus recursos no exterior – tática de sufocamento econômico semelhante a que vem sendo usada contra governos como o venezuelano, iraniano e sírio.

Referências

[1] https://observador.pt/2020/10/25/bielorrussia-ultimato-para-alexander-lukashenko-se-demitir-termina-hoje

[2] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/greve-geral-fracassa-na-belarus-e-ditadura-mantem-repressao.shtml

[3] https://borisovnews.by/2020/06/08/tihanovskaya-o-900-tysyachah-najdennyh-posle-treh-obyskov

[4] https://www.svaboda.org/a/30635211.html

[5] https://www.youtube.com/channel/UCFPC7r3tWWXWzUIROLx46mg

[6] https://www.themoscowtimes.com/ru/2020/08/26/irlandskii-sled-v-zhizni-svetlani-tihanovskoi-a428

[7] https://www.mondialisation.ca/lencerclement-malveillant-de-la-russie/5650212

[8] https://www.ned.org/region/central-and-eastern-europe/belarus-2019

[9] https://tsikhanouskaya2020.by

[10] https://www.publico.es/internacional/elecciones-bielorrusia-tres-mujeres-dictador-europa.html

[11]https://belaruspartisan.by/politic/507446/?__cf_chl_captcha_tk__=696f9ea4ae06aba31a7100ab333c46a33689f9bf-1604154757-0-Aek-ENzpKzIfyhPy80Qe7ebVoiKXeMsISHBVapSGFE_lsZGYo9M3IKQ11y1S4e4KHjYy92OmcuPeYZny2S3eZW-lnH0F0DCe8sU61wrMd8LzbiSpNlbt4nsvZZT0d1X2ert7SK_EFu-t1ia-Ke3GkLho19RBCVbONLpuMRZPHBa4nZqCr5MjOqbDWqRjnMmQ8Tt6HjHTXxL8JnY5XPPHoEscyrLFuEAEKzCFtUffsieNAhru67sYiCzHe14epBD6wP8M0IT_PS6ISL73lekvLxjlnaeYA0fZGMuxw4KI9ekFSt_VTvGvNT60xGf3mhWAg9E500HmMyCrDX6PxHdJOvgCrATxU0-b7mniBXUbd99x-b8b4Nvy6fjFj6Bkbq-ZEVVeMoZFVkjEMJN8TkpF7l5PAFSK1-6pGdRmMFOodYvHGyt8fzUGAQ42eU1HRCuB8UCbin3Yb5yTcyue0S6h_Pu_8VdHL22buXaVdbMOjrQ09TFoNw9eR9sZ3KuqxkKyKJV0FB3zOQJkOuN9uP0yF3tkMuxXZlSRLcylSBJNUsVcKPpSy3pd3qirXUdRxlnyYQ

[12] https://www.publico.es/internacional/elecciones-bielorrusia-tres-mujeres-dictador-europa.html

[13] https://euobserver.com/foreign/149493

[14] https://www.reuters.com/article/us-belarus-election-usa-biden-idUSKBN27C346

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Yuri Martins-Fontes

Filósofo e doutor em história econômica pela Universidade de São Paulo, pesquisa o pensamento e literatura latino-americanos, os movimentos sociais, a ética marxista e os saberes originários. Exerce atividades também como professor, escritor, tradutor e jornalista. Coordena projetos de educação popular e formação política do Núcleo Práxis da USP. É autor do livro “Marx na América: a práxis de Caio Prado e Mariátegui”, dentre outros. Desde 1999 colabora com a mídia independente; é colunista da Revista Fórum e da Agencia Latinoamericana de Información.