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17 de janeiro de 2019, 08h34

Especialista diz que é possível identificar autores de fake news contra o PT nas eleições

Relatório do especialista em telecomunicações da PUC foi, até agora, ignorado pela PF

Foto: Reprodução
O especialista em telecomunicações da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, Miguel Freitas, enviou à Procuradoria-Geral da República, em 26 de novembro de 2018, um parecer técnico com rastreamento de algumas das principais notícias falsas disseminadas na campanha eleitoral. De acordo com Freitas, o relatório permitiria identificar quem foram os primeiros propagadores das mentiras que mais circularam na eleição passada. O documento, de acordo com matéria da Folha publicada nesta quinta-feira (17), foi recebido pela procuradora Raquel Branquinho e enviado para a Polícia Federal. Após negar ter recebido o relatório, a assessoria da PF afirmou que a documentação foi recebida fora dos...

O especialista em telecomunicações da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, Miguel Freitas, enviou à Procuradoria-Geral da República, em 26 de novembro de 2018, um parecer técnico com rastreamento de algumas das principais notícias falsas disseminadas na campanha eleitoral.

De acordo com Freitas, o relatório permitiria identificar quem foram os primeiros propagadores das mentiras que mais circularam na eleição passada. O documento, de acordo com matéria da Folha publicada nesta quinta-feira (17), foi recebido pela procuradora Raquel Branquinho e enviado para a Polícia Federal.

Após negar ter recebido o relatório, a assessoria da PF afirmou que a documentação foi recebida fora dos autos pelo delegado Thiago Marcantonio, responsável por inquérito sobre envio em massa de mensagens pelo WhatsApp nas eleições.

O inquérito foi aberto durante o processo eleitoral, em 20 de outubro, logo após reportagem da Folha mostrar que empresários bancaram envio em massa de mensagens contra o PT pelo aplicativo durante a campanha.

Freitas afirmou por email à procuradora que o relatório poderia “auxiliar em algumas linhas de investigação quanto ao uso e disseminação das ‘fake news’ na eleição de 2018”.

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Segundo ele, o material reúne “informações técnicas e indícios sobre as origens de algumas das postagens falsas mais relevantes observadas neste processo eleitoral em grupos públicos de WhatsApp”. Até hoje, quase dois meses depois, ninguém entrou em contato com o pesquisador.

“Se a Justiça requerer ao WhatsApp os registros que a plataforma mantém em relação a esses identificadores que nós localizamos, será possível chegar ao endereço IP da pessoa que primeiro fez o upload, ou seja, identificá-la”, diz ele, coordenador do laboratório de Pesquisa em Tecnologia de Inspeção (CPTI/PUC-Rio).

Nos EUA, o WhatsApp já forneceu esses metadados ao FBI (polícia federal americana) algumas vezes, mediante ordem judicial durante investigação de crimes.

Não é possível dizer se uma pessoa repassou um vídeo ou imagem que veio originalmente do Facebook ou por email.

Mas é possível identificar a primeira pessoa que fez o upload de um conteúdo no WhatsApp. Por mais que não tenha criado o conteúdo, essa pessoa é chave na disseminação —e pode ser um IP de uma agência de marketing ou alguém ligado a algum partido.

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