PÔLEMICA NO FUTEBOL

A controvérsia dos gramados sintéticos no futebol brasileiro

Como os clubes brasileiros estão lidando com a escolha entre gramados naturais, sintéticos e híbridos

Créditos: Divulgação/Governo de Alagoas
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Nos últimos anos, o futebol brasileiro foi palco de discussões intensas sobre o uso de gramados sintéticos e híbridos nos estádios. A decisão da Eridivisie CV, entidade que governa o futebol nos Países Baixos, de banir os gramados sintéticos a partir de 2025, provocou uma reflexão sobre o tema. Enquanto isso, o Atlético-MG considera adotar o sintético em sua nova arena em Belo Horizonte.

Histórico no Futebol Brasileiro

A discussão sobre gramados sintéticos no Brasil começou em 2016, quando o Athletico Paranaense adotou essa tecnologia em sua Arena da Baixada. Com um impressionante aproveitamento de mais de 80% nos jogos em casa, o time conquistou uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. A iniciativa gerou desconforto entre outros clubes, liderados pelo então presidente do Vasco, Eurico Miranda, que buscavam a proibição dos sintéticos na Série A. No entanto, o movimento foi contrariado em uma reunião do Conselho Técnico de Clubes em fevereiro de 2018, quando o Athletico Paranaense garantiu votos suficientes para a manutenção da grama sintética.

Atualmente, Palmeiras e Botafogo possuem gramados sintéticos, cada um com um desempenho notável em suas primeiras temporadas com essa tecnologia. Contudo, surgem questões cruciais: os jogadores estão mais propensos a lesões? Por que as principais ligas europeias resistem ao sintético?

 

Experiência Internacional e Alternativas

O jornalista Tim Vickey, da BBC de Londres, aponta para a experiência inglesa, onde a melhoria na manutenção dos gramados naturais transformou campos impraticáveis em verdadeiros tapetes. Ele questiona por que o Brasil, com condições climáticas mais favoráveis, não adota essa abordagem ao invés de optar pelos sintéticos.

Enquanto alguns clubes brasileiros investem em gramados sintéticos, há experiências inovadoras em outros países. O Schalke 04, na Alemanha, apresentou um gramado que desliza para fora do estádio, permitindo a exposição à luz solar. O Tottenham, na Inglaterra, guarda seu gramado no subsolo, possibilitando a realização de jogos da NFL em piso sintético.

O Maracanã adotou uma solução híbrida, combinando 90% de gramado natural e 10% de fibras sintéticas, com o objetivo de garantir resistência e durabilidade.

O Dilema de Luis Suárez e a Busca por Soluções

A discussão ganha contornos mais concretos quando jogadores renomados como Luis Suárez, evitam jogar em gramados sintéticos devido a preocupações com lesões. O atacante uruguaio explicita que, devido a problemas no joelho, enfrentaria dificuldades em campos sintéticos, levantando questionamentos sobre a inclusão desses campos em competições de alto nível.

Diante desse cenário, o goleiro Romero, do Boca Juniors (Argentina), expressa sua insatisfação em uma entrevista em 2023 onde critica o gramado do Palmeiras, dizendo que "gramados sintéticos são para hóquei". A discussão continua, e a busca por uma alternativa que concilie a qualidade do espetáculo, a segurança dos atletas e a versatilidade dos estádios multiuso permanece em destaque no cenário do futebol brasileiro.

 

O Futuro dos Gramados no Futebol Brasileiro

O debate sobre gramados sintéticos e híbridos no futebol brasileiro está longe de ser encerrado. A experiência internacional, os dados de desempenho e os relatos de jogadores destacam a complexidade da decisão. Enquanto alguns clubes buscam inovação, outros questionam a viabilidade e os riscos envolvidos. A solução, seja ela em favor do sintético, híbrido ou natural, demanda uma abordagem abrangente que considere não apenas o desempenho esportivo, mas também a integridade física dos atletas. O futuro dos gramados no futebol brasileiro permanece em aberto, aguardando uma definição que satisfaça todas as partes envolvidas.

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