Cirurgias e superação: conheça a história do bronze que vale ouro de Mayra Aguiar

Ela se tornou, nesta quinta-feira, a primeira judoca brasileira a conquistar três medalhas de bronze na modalidade em três Olimpíadas seguidas

A judoca Mayra Aguiar entrou para a história do esporte nacional nesta quinta-feira (29), ao ser a primeira brasileira a conquistar três medalhas de bronze na modalidade. Ela conseguiu o feito após vencer a sul-coreana Mayra Hyunji Yoon na categoria até 78kg nas Olimpíadas de Tóquio, no tatame montado no Budokan, maior templo do judô mundial.

Antes de Tóquio, Mayra já havia subido ao pódio em Londres 2012 e Rio 2016. É, também, a primeira a fazer isso em três Olimpíadas em sequência.

O judô é a modalidade com mais medalhas do Brasil em Olimpíadas, com 24 pódios. Mayra tem três, mais do que qualquer outro no país.

“Não estou conseguindo falar, estou emocionada. Acho que é a conquista mais importante para mim. Foram difíceis os últimos tempos, bem difíceis, tem que superar, superar de novo e de novo. Não aguentava mais fazer cirurgia, ainda mais no momento que vivemos, tive medo, angústia. Mas continuei. Dar o nosso melhor vale a pena”, disse a judoca em entrevista na zona mista à TV Globo.

Esta vitória de Mayra Aguiar, como ela mesma afirmou, é particularmente mais significativa do que todas as outras. Após uma série de cirurgias que quase a levaram e deixar definitivamente o esporte, ela chegou às Olimpíadas de Tóquio e conseguiu a medalha. Veja um pouco da história de Mayra Aguiar abaixo.

Superação

Ao colocar no peito a medalha conquistada na Rio 2016, Mayra Aguiar também entrava para história do país por ser a primeira mulher a ganhar mais de uma medalha de bronze em Olimpíadas.

Quatro anos antes, em Londres, Mayra ainda se recuperava do fim do sonho pelo ouro quando foi para a disputa pelo bronze sentindo muitas dores físicas. O golpe que deu a vitória a Mayra fez o braço da atleta estalar. Mesmo assim, conseguiu trazer o bronze para casa.

Manteve-se entre as melhores do mundo, mas as lesões tornaram-se duras adversárias e levaram Mayra a se submeter a diversas cirurgias.

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Logo depois da Olimpíada de Londres, passou por uma cirurgia para corrigir um problema no ombro. Recuperou-se a tempo de participar e levar o título no Mundial de 2013.

Em seguida, foi submetida a mais duas cirurgias: no joelho direito e no cotovelo esquerdo.

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Apesar das diversas intervenções cirúrgicas e períodos sem treinar por causa da recuperação, Mayra chegou à Olimpíada Rio 2016 como uma das esperanças de medalha para o Brasil.

Diante de uma torcida empolgada, a atleta viu o drama de Londres se repetir. Perdeu a semifinal para a francesa Audrey Tcheuméo e pouco tempo depois já voltava ao tatame para lutar pelo bronze contra a cubana Yalennis Castillo na categoria até 78 kg .

Assumindo uma postura agressiva, ela conseguiu um yuko, que a deixou em vantagem na luta. A estratégia da brasileira foi não recuar para defender o placar favorável.

“A hora em que consegui a pontuação, sabia que se ela sentisse que eu tinha parado, ela viria muito para cima. É uma atleta muito agressiva, já foi vice-campeã olímpica, e sabe o valor de uma medalha. Então, ela daria tudo ali. Na minha cabeça, eu não poderia parar de lutar, eu teria que continuar agressiva, lutando. Pus na minha cabeça que ela não tiraria essa medalha de mim”.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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