Diretor do Corinthians é contra a compra de vacinas por clubes de futebol: “Não está certo. Estamos falando de saúde pública”

"Tem grupos prioritários, lidando com pessoas, que teriam mais necessidade de receber vacina do que atletas. Todos vão tomar. Atropelar as coisas não é legal", disse Roberto de Andrade

Logo que a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto de lei 948/21 que prevê a compra de vacinas contra a Covid-19 pela iniciativa privada, no início deste mês, clubes de futebol já manifestaram o desejo de furar a fila e adquirir os imunizantes. O Corinthians, porém, não é um deles.

Nesta terça-feira (27), durante entrevista coletiva, o diretor de futebol do clube paulista, Roberto de Andrade, se mostrou contra a proposta de entes privados adquirirem vacinas em detrimento da campanha de vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Primeiro que isso (compra de vacinas por clubes) não está certo. Só se fala disso por enquanto. A própria Conmebol recebeu 50 mil vacinas e não tomou atitude. Estamos falando de saúde pública. Não tenho experiência nisso de saúde, nem cuido da minha direito. Mas tem grupos prioritários, lidando com pessoas, que teriam mais necessidade de receber vacina do que atletas. Todos vão tomar. Atropelar as coisas não é legal”, disse o dirigente.

“Futebol não é melhor do que nenhum outro setor. Se a vacina for dada ao futebol, que não faça falta a outro grupo com necessidade maior”, completou.

Apesar do projeto que libera a compra de vacinas contra a Covid pela iniciativa privada ter sido aprovada na Câmara, o texto seguiu para o Senado e ainda não foi apreciado. A expectativa é que a matéria seja arquivada e não se torne lei.

Por este motivo, algumas empresas têm entrado na Justiça para obter os imunizantes e clubes de futebol já manifestaram esse interesse. O primeiro a dizer que quer comprar vacinas foi o Club Athletico Paranaense, que divulgou que pretende adquirir as doses e imunizar jogadores, funcionários e até mesmo, sócios que continuam pagando mensalidade durante a pandemia do coronavírus. O clube alega que deseja “auxiliar a vacinação em massa da população brasileira”.

A diretoria do Flamengo já deixou claro que pretende aderir ao projeto do Athletico de compra de vacinas particulares contra a Covid-19 pela iniciativa privada. A informação foi confirmada pelo presidente Rodolfo Landim, ao Globo.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, não oficialmente, o interesse em apoiar a causa. Outros clubes, como Ceará, por exemplo, acham a medida interessante. Porém, ainda não há uma posição pública fechada.

Atletas olímpicos

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) irá iniciar no próximo mês a vacinação dos atletas que irão participar das Olimpíadas de Tóquio, em julho. Os imunizantes foram doados pela China através do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Segundo informações do jornalista Demétrio Vecchioli, do portal Uol, a Diretoria de Imunização do Ministério da Saúde deu aval para que o COB e o Ministério da Defesa organizem a imunização dos atletas.

As doses da CoronaVac que serão aplicadas em 2 mil atletas e integrantes da comissão técnica foram doadas pela China ao COI com o objetivo de vacinar todos os participantes dos jogos de Tóquio de 2021 e das Olimpíadas de Inverno, que será realizada em Pequim no início de 2022.

Serão 4 mil imunizantes disponibilizados para o COB e outros 8 mil doados para o Sistema Único de Saúde (SUS).

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.