Em meio a investigação do MPF e crise na CBF, Mastercard retira exposição da marca na Copa América

Operadora de cartões não vai mais expor a marca no torneio que acontece no Brasil em pleno descontrole da pandemia do coronavírus

Uma das principais empresas atreladas à realização da Copa América, a Mastercard decidiu “desativar” seu patrocínio ao torneio e a marca, portanto, não será exposta durante a realização das partidas. As informações são da coluna Radar, da revista Veja.

“Após análise criteriosa, decidimos por não ativar nosso patrocínio à Copa América no Brasil”, diz o comunicado da operadora de cartões de crédito, que não especifica o motivo exato para a decisão.

A desistência da Mastercard em patrocinar o torneio vem em meio à crise na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que, em articulação com o governo Bolsonaro, topou oferecer o Brasil como sede do campeonato em pleno descontrole da pandemia do coronavírus após a desistência de outros países cotados para receber o evento.

Jogadores e comissão técnica da seleção brasileira, apesar de já terem topado participar da competição, demonstraram descontentamento com o fato do Brasil, que já soma quase 500 mil mortes por Covid-19, sediar o campeonato.

A crise ainda foi intensificada após o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, ser afastado provisoriamente por conta de denúncias de assédio sexual feitas por uma funcionária.

Investigação do MPF

A realização da Copa América no Brasil despertou, também, a preocupação do Ministério Público Federal (MPF), que resolveu promover uma ação coordenada para investigar a CBF, os estados e municípios que vão abrigar a competição, além do SBT e da Disney (canais ESPN e Fox Sports), que transmitirão os jogos.

Até as empresas que patrocinam a competição também serão objeto das ações: Mastercard, Ambev, Latam, Semp TCL, Diageo, Kwai, Betsson e TeamViewer21, além de Betfair22.

Carlos Alberto Vilhena, subprocurador da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, foi o responsável por expedir ofícios aos procuradores dos estados de Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal “exortando-os” à abertura de procedimentos de investigação.

A CBF e as empresas envolvidas na realização da competição deverão ser investigadas por “atos violadores dos direitos à vida e à saúde”.

Os governadores e prefeitos deverão responder por contribuir com as violações ou “ao menos” por se omitir “do dever de prevenção a condutas transgressoras de direitos humanos no contexto de atividades empresariais e do dever de proteção contra comportamentos atentatórios a mencionados direitos fundamentais”.

A ideia da ação surgiu do Grupo de Trabalho de Direitos Humanos e Empresas da procuradoria. Os integrantes defendem que a apresentação de planos estruturados pela CBF e pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Comenbol), que organizam a Copa América, não garantem que não haverá propagação do coronavírus.

Na avaliação dos procuradores, a realização Copa América no Brasil coloca em risco a saúde dos trabalhadores: profissionais de futebol, equipe técnica, jornalistas, equipes de televisão e rádio, trabalhadores dos estádios, segurança e serviços auxiliares.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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