Maradona diz que Macri “cagou a vida de duas gerações inteiras de argentinos”

Declaração foi resposta a entrevista no qual o ex-presidente atacou sua rival política Cristina Kirchner dizendo que ela se compara “a Maradona, em termos de irracionalidade, não em talento”

O debate político na Argentina nesta terça-feira (13) foi marcado por um bate-boca nas redes sociais entre o ex-futebolista Diego Armando Maradona, maior ídolo do futebol no país e um dos maiores de todos os tempos, e o ex-presidente Maurício Macri, um dos empresários mais ricos do país, e que terminou seu mandato, no ano passado, com uma profunda crise econômica e uma dívida externa de quase 100 bilhões de dólares.

Em entrevista ao canal Todo Notícias (pertencente ao Grupo Clarín), na noite desta segunda-feira (12), Macri insistiu em seu discurso de criticar as medidas do governo de Alberto Fernández, especialmente as quarentenas para conter a propagação do coronavírus, mas fez seus ataques mais importantes à sua maior rival histórica, a vice-presidenta Cristina Kirchner.

A mais chamativa desses ataques envolveu o nome do ex-jogador: “tive que fazer algo duríssimo quando fui presidente do Boca Juniors (nos Anos 90), que foi mandar o Maradona embora, porque ele também era meu ídolo, e ídolo de todos os argentinos. Mas isso permitiu fazer um Boca melhor. O peronismo está diante do mesmo desafio, que é o de se separar da Cristina Kirchner. Eu a comparo com Maradona, mas só na irracionalidade, não no talento”.

Nesta terça, através de suas redes sociais, o craque respondeu de forma contundente, em uma mensagem que não ficou em indiretas.

“A você, Mauricio, tenho que dizer que você não me expulsou de lugar nenhum. Fui eu que saí do futebol, para proteger a saúde dos meus pais. Essa decisão foi minha e não fiz mal a ninguém”, começou dizendo o ex-jogador.

“Não importa quantas bravatas você jogue, no fundo, sabe que o grande problema das suas decisões é que elas cagaram a vida de duas gerações inteiras de argentinos. Assuma o que você fez, querido. Até o seu pai já te disse isso”, continuou a mensagem.

Maradona também aproveitou a publicação para apoiar o governo de Alberto Fernández e Cristina Kirchner: “Peço ao povo argentino que apoie este governo. Que o faça de suas casas, das redes. Porque este governo não é de Alberto e Cristina. É de todos nós”.

E concluiu com mais uma patada em Macri: “este não é mais o país do Riquinho e seus amigos”.

Como curiosidade, vale citar o fato de que, atualmente, Diego Maradona trabalha como técnico do Gimnasia y Esgrima de La Plata, clube cuja torcedora mais ilustre é justamente Cristina Kirchner.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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