Marta e Formiga, que resgataram a beleza do nosso futebol, se aposentam sem o ouro

Nesta sexta-feira (30), após empatar em 0 a 0 com o Canadá no tempo normal e na prorrogação, o Brasil perdeu por 4 a 3 nos pênaltis e foi eliminado nas quartas de final dos Jogos de Tóquio

Acabou o sonho do ouro olímpico para a geração de Marta e Formiga. A primeira com 35 anos e a segunda com 43, as duas maiores craques da modalidade de todos os tempos do Brasil muito provavelmente não voltam para uma próxima Olimpíada. Acabou.

A medalha de ouro no futebol olímpico parece ser um tabu. Foi durante décadas o único título que a seleção masculina não havia conquistado. O país do futebol ganhou seis medalhas no futebol olímpico: prata em 1984, 1988 e 2012, bronze em 1996 e 2008 e só conseguiu a medalha de ouro jogando em casa na edição do Rio.

Nesta sexta-feira (30), após empatar em 0 a 0 com o Canadá no tempo normal e na prorrogação, o Brasil perdeu por 4 a 3 nos pênaltis e foi eliminado nas quartas de final dos Jogos de Tóquio. Bárbara defendeu o chute de Sinclair no início das penalidades, mas Andressa Alves e Rafaelle pararam na goleira canadense Labbé nas duas últimas cobranças do Brasil.

Logo após a partida, Marta evitou falar sobre o futuro da seleção feminina de futebol: “Não sei, não posso te dar essa resposta agora, estou com a cabeça a mil, vou deixar essa resposta para depois. Não dá para dizer no momento, estou muito emocionada. Peço para as pessoas não apontarem o dedo para ninguém, se tiver que apontar para alguém apontem para mim, já estou acostumada”, disse a camisa 10.

O fato é que, assim como na vida, o futebol feminino não chega nem perto dos salários e, consequentemente, da estrutura que tem os homens. Para um garoto, ser jogador de futebol profissional é um destino de ouro, enquanto para as meninas, na maior parte dos casos, é profissão de fé, abnegação.

Marta e Formiga, entre várias outras jogadoras, parecem ser vítimas da mesma síndrome da inesquecível seleção de 1982 de Zico, Falcão, Sócrates, Júnior e tantos outros. Sempre jogaram bonito, com a ginga brasileira que parece eternamente enterrada pelo futebol de resultados e, por conta disto, perderam.

Tudo indica que, assim como o lendário time comandado por Telê Santana, elas serão lembradas para sempre. Deixo aqui, em homenagem às meninas que nunca tiveram o ouro, o refrão da canção de Celso Viáfora e Vicente Barreto, “Cara do Brasil”:

Brasil, Mauro Silva, Dunga e Zinho
Que é o Brasil zero a zero e campeão
Ou o Brasil que parou pelo caminho
Zico ou Sócrates, Júnior e Falcão

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A gente é torto igual a Garrincha e Aleijadinho
Ninguém precisa consertar
Se não der certo e a gente se virar sozinho
Decerto, então, nunca vai dar

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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