Maurício Souza é demitido do Minas por homofobia; entenda o caso

Técnico da seleção também corta jogador de novas convocações

O Minas Tênis Clube anunciou, nesta terça (26), que o jogador de vôlei Maurício Souza não é mais parte do clube. Após o afastamento em razão de postagens homofóbicas nas redes sociais, diversos atletas vieram à público condenar a postura de Maurício, que é apoiador ferrenho do presidente Jair Bolsonaro.

“COMUNICADO OFICIAL – MAURÍCIO SOUZA: O Minas Tênis Clube informa que o atleta Maurício Souza não é mais jogador do Clube”, anunciou o clube em perfil no Twitter.

O técnico da seleção masculina de vôlei, Renan dal Zotto, também fechou as portas para Maurício após o caso. “É inadmissível este tipo de conduta do Maurício e eu sou radicalmente contra qualquer tipo de preconceito, homofobia, racismo. Em se tratando de seleção brasileira, não tem espaço para profissionais homofóbicos”, disse o treinador em entrevista à jornalista Carol Knoploch, de O Globo.

A declaração homofóbica de Maurício Souza

Há duas semanas, a DC Comics divulgou que o novo Super-Homem, filho de Clark Kent, se descobrirá bissexual nas próximas edições das histórias em quadrinhos. Depois da publicação, Maurício postou a foto de divulgação do Super-Homem e fez a postagem homofóbica: “Ah é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”.

O atleta tinha a opção de se retratar publicamente para seguir no clube mineiro. Ao invés de apagar a postagem preconceituosa e se manifestar pelo Instagram, onde tem 300 mil seguidores, Maurício optou por se desculpar pelo Twitter, onde tinha apenas 51 no momento em que a postagem foi feita.

A decisão do Minas de afastar o jogador só aconteceu após a pressão de patrocinadores, como a Fiat e a Gerdau. O clube vinha adotando postura tímida até então. Mesmo assim, o fato gerou repercussão e fez outros atletas se posicionarem contra a homofobia.

Atletas reagem

O jogador de vôlei Douglas Souza, que é assumidamente gay e atuou na Seleção Brasileira ao lado de Maurício, parabenizou a Fiat pela pressão. Carol Gattaz, Fabi Alvim e Sheilla Castro, da Seleção feminina, também reagiram.

“Obrigado Fiat pelo posicionamento! Obrigado por entender que homofobia não é liberdade de expressão ou opinião. Esperamos mais novidades. O famoso não vai dar em nada né, toda vez a mesma coisa, cansado disso de sempre ter falas criminosas e no máximo que rola é uma ‘multa’ ou uma retratação nas redes sociais. Até quando? Feliz pelas empresas se juntando contra e triste por atletas tentar passar pano nisso. Vergonhoso. Todos os dias, todas as horas um dos nossos morrem. O que temos? Uma retratação”, escreveu Douglas, em tom de indignação.

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Reincidente

Não é a primeira vez que o bolsonarista Maurício faz postagens homofóbicas nas redes.

Em outubro de 2017, o jogador publicou: “Sou do tempo que fumar era bonito e dar a bunda era feio! Hoje fumar é feio e dar a bunda é bonito! Sorte que sou velho”, dizia a frase compartilhada por Maurício. Ele repetiu a publicação em agosto de 2021.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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