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11 de julho de 2019, 06h00

“Estamos diante de uma tragédia humanitária”, diz Eduardo Fagnani sobre a Previdência

Em entrevista à Fórum, professor do Instituto de Economia da Unicamp explicou o motivo pelo qual a reforma da Previdência, recém aprovada na Câmara, não combate privilégios e prejudica os mais pobres; "Estão acabando com o único mecanismo de proteção social do Brasil que restou". Assista

Foto: Guilherme Santos/Sul 21
“Estamos diante de uma tragédia humanitária”. Assim Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), define a reforma da Previdência, projeto do governo que foi aprovado neste quarta-feira (10), por maioria dos votos em plenário, na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao programa Fórum 21, Fagnani explicou que, além do modelo de Previdência público, a reforma destruirá o modelo de sociedade que foi pactuado na Constituição de 1988. Confira aqui as principais mudanças contidas na reforma da Previdência aprovada na Câmara  “Em 1988 foi a primeira que vez que, ao menos no plano da lei,...

“Estamos diante de uma tragédia humanitária”. Assim Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), define a reforma da Previdência, projeto do governo que foi aprovado neste quarta-feira (10), por maioria dos votos em plenário, na Câmara dos Deputados.

Em entrevista ao programa Fórum 21, Fagnani explicou que, além do modelo de Previdência público, a reforma destruirá o modelo de sociedade que foi pactuado na Constituição de 1988.

Confira aqui as principais mudanças contidas na reforma da Previdência aprovada na Câmara 

“Em 1988 foi a primeira que vez que, ao menos no plano da lei, tivemos direitos civis, direitos políticos e direitos sociais”, afirmou.

De acordo com o professor, o projeto aprovado, diferente do discurso encampado pelo governo, não combaterá privilégios e prejudicará os mais pobres.

“Um dos núcleos da cidadania é a seguridade social. É o INSS urbano, rural, assistência social, saúde e seguro desemprego. É isso que está sendo destruído. A mudança do artigo 195 da Constituição, que foi aprovado com a reforma, destrói todo o mecanismo de financiamento da seguridade social. É muito grave”, pontuou.

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O professor explicou que 93% da economia que a reforma fará em 20 anos se dá sobre o INSS rural, o INSS urbano, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o acordo salarial. “Me diga se tem algum privilegiado aí”, desafiou Fagnani.

“Vai mexer onde já foi reformado, no servidor público federal e no regime geral da Previdência social que paga benefício em média de R$1300. A reforma é uma transferência do INSS para as camadas de alta renda”, resumiu o professor, que ao longo do programa ainda tratou de outros pontos do projeto.

Assista.

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