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13 de junho de 2019, 16h14

“Estamos fortalecendo a luta contra a corrupção”, diz Glenn à Jovem Pan

Editor do The Intercept Brasil não caiu nas armadilhas da bancada do programa 'Pânico' e fez uma contundente defesa de seu trabalho jornalístico que, desde domingo (9), começou a desnudar a operação Lava Jato

Glenn Greenwald (Arquivo)
O diretor do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, foi entrevistado na tarde desta quinta-feira (13) pela equipe do programa ‘Pânico’, da rádio Jovem Pan. Greenwald deu mais detalhes sobre os vazamentos de conversas entre o então juiz da Lava Jato Sérgio Moro e do chefe da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol. O jornalista soube manter a compostura e não caiu nas armadilhas dos apresentadores da bancada, que o tempo todo tentavam provocá-lo e fazê-lo dizer que era “petista” ou, então, que desse uma declaração contra o ex-presidente Lula. Questionado se divulgaria conteúdo semelhante em hipótese de diálogo entre um advogado...

O diretor do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, foi entrevistado na tarde desta quinta-feira (13) pela equipe do programa ‘Pânico’, da rádio Jovem Pan. Greenwald deu mais detalhes sobre os vazamentos de conversas entre o então juiz da Lava Jato Sérgio Moro e do chefe da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol.

O jornalista soube manter a compostura e não caiu nas armadilhas dos apresentadores da bancada, que o tempo todo tentavam provocá-lo e fazê-lo dizer que era “petista” ou, então, que desse uma declaração contra o ex-presidente Lula. Questionado se divulgaria conteúdo semelhante em hipótese de diálogo entre um advogado de Lula e um magistrado, Greenwald disse que, sim, divulgaria, “independente de quem vai ser favorecido ou prejudicado”.

Ele ainda respondeu no ar às afirmações de que o Intercept seria um veículo esquerdista ou petista, e se seria conivente com um crime ao divulgar vazamentos de mensagens obtidas por um hacker.

“Eu entendo que muitos dos escândalos divulgados pelo jornalismo partiram de crimes cometidos pelas fontes. No caso Watergate isso aconteceu; Snowden (ex-funcionário da CIA que revelou a vigilância exercida pela CIA e pela NSA, violando o sigilo de comunicação) obteve documentos foi crime; e um hacker entrar nas conversas de um juiz também, mas entendermos que nosso papel como jornalistas é selecionar e divulgar a informação relevante, não investigar criminalmente nossa fonte”, defendeu o jornalista norte-americano.

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O fundador do The Intercept Brasil ainda afirmou que as pessoas o acusam de querer “atacar e destruir” a Lava Jato, mas que seu trabalho vai justamente no caminho contrário. “Acredito que estamos fortalecendo a luta contra a corrupção, não enfraquecendo, esse é nosso objetivo”, pontuou.

Principal apresentador do programa, Emílio Surita defendeu a operação Lava Jato, as condenações feitas, e o dinheiro recuperado dos desvios da Petrobras, e o juiz Sérgio Moro, que “enfrentava muita dificuldade para condenar estes criminosos”, ao mesmo tempo que acusou Greenwald de dividir o país, já polarizado.

No final da tarde desta quarta-feira (12) o editor-executivo do The Intercept, Leandro Demori, já havia participado do programa de rádio de Reinaldo Azevedo, da Band, onde comentou os diálogos de promotores da Lava Jato com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, e como este expôs o colega Teori Zavascki – então relator da Lava Jato no Supremo e morto em janeiro de 2017 em um acidente de avião.

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