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09 de dezembro de 2015, 14h53

Estudantes italianos ocupam escola em Roma e pedem o apoio dos secundaristas de SP

Inspirados no movimento de São Paulo, alunos da escola de ensino médio Liceo Statale Virgilio mandam recado aos paulistas: “Cúmplices e solidários nas lutas, no mundo inteiro”

Inspirados no movimento de São Paulo, alunos da escola de ensino médio Liceo Statale Virgilio mandam recado aos paulistas: “Cúmplices e solidários nas lutas, no mundo inteiro” Por Redação* No final de novembro, alunos do Liceo Statale Virgilio, em Roma, inspiraram-se nas ocupações brasileiras para dar visibilidade às suas reivindicações – entre elas,  a remoção de câmeras de segurança do ambiente escolar, a liberdade de entrar na sala mesmo após o início da aula, a participação dos alunos em decisões que os afetem enquanto estudantes e a melhoria na infraestrutura da escola. Organizados pelo Collettivo Autorganizzato Virgilio, os estudantes publicaram,...

Inspirados no movimento de São Paulo, alunos da escola de ensino médio Liceo Statale Virgilio mandam recado aos paulistas: “Cúmplices e solidários nas lutas, no mundo inteiro”

Por Redação*

No final de novembro, alunos do Liceo Statale Virgilio, em Roma, inspiraram-se nas ocupações brasileiras para dar visibilidade às suas reivindicações – entre elas,  a remoção de câmeras de segurança do ambiente escolar, a liberdade de entrar na sala mesmo após o início da aula, a participação dos alunos em decisões que os afetem enquanto estudantes e a melhoria na infraestrutura da escola.

Organizados pelo Collettivo Autorganizzato Virgilio, os estudantes publicaram, em 26 de novembro, uma carta aberta explicando suas exigências: “Propomos uma mudança radical, propomos melhorar a nossa amada escola. Exigimos que os alunos, parte integrante do projeto escolar, voltem a ser realmente os protagonistas. Com estes pedidos, salientamos o quão importante é para nós fazer desta escola aberta e habitável, um lugar onde não só se estuda e se aprende, mas onde os estudantes convivam e se organizem”.

A fachada da escola ocupada

A fachada da escola ocupada

Em uma outra carta, assinada por “Um Aluno”, alguns dos motivos da ocupação foram elencados. Entre eles, a superlotação da escola e suas consequências: “Segundo dados fornecidos à delegação de estudantes, nossa escola, no ano passado, abrigava 1.550 estudantes. O limite imposto pelo governo é de 1.200 alunos. (…) A falta de espaço acabou privando os estudantes de experimentar de fato o que estão estudando no âmbito científico, artístico ou literário”.

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O Collettivo Autorganizzato Virgilio é horizontal e não possui figuras de liderança, lembrando muito as formas de resistência das escolas estaduais de São Paulo. Além de ocupar e cuidar do espaço escolar, os jovens se mobilizaram para continuar tendo aulas, atividades culturais e debates intelectuais. Na página do movimento no Facebook, o Collettivo costuma compartilhar fotos de aulas colaborativas de matemática, politica e história, além de postar registros de palestras sobre livros, exibições de documentários e encontros com ex-alunos e figuras importantes, como o jornalista Sandro Ruotolo.

Aula colaborativa de matemática na ocupação do colégio Virgilio

Aula colaborativa de matemática na ocupação do colégio Virgilio

O coletivo também manifestou, em um post no Facebook, seu apoio ao movimento brasileiro: “De Roma para São Paulo: não tem arrego! Os alunos e as alunas dos liceus brasileiros de São Paulo ocuparam as suas escolas e conseguiram suspender a reforma de reorganização da educação pública (…). Cúmplices e solidários nas lutas, no mundo inteiro”.

Em resposta, a página O Mal Educado, conhecida como porta-voz do movimento dos secundaristas paulistas, escreveu: “De escola ocupada pra escola ocupada: a luta é internacional! As escolas são dos estudantes, não das diretorias! O Virgílio é escola de luta!”.

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Chamados de “baderneiros” pela diretora da escola, Irene Baldriga, os alunos italianos pretendem permanecer em luta até que suas treze exigências sejam cumpridas, embora temam que ocorra a reintegração de posse até a próxima segunda-feira (14).

*Com informações da Agência Democratize

(Fotos: Reprodução/Facebook)

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