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07 de julho de 2015, 09h33

“Eu não vou cair, não me aterrorizam”, afirma Dilma

Em entrevista à Folha de S. Paulo, presidenta desafiou os membros da oposição que tentam articular seu impeachment: "Venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo"

Em entrevista à Folha de S. Paulo, presidenta desafiou os membros da oposição que tentam articular seu impeachment: “Venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo” Por Redação Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo e publicada nesta terça-feira (7), Dilma Rousseff adotou uma postura assertiva em relação às tentativas de derrubá-la da presidência da República. “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não...

Em entrevista à Folha de S. Paulo, presidenta desafiou os membros da oposição que tentam articular seu impeachment: “Venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo”

Por Redação

Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo e publicada nesta terça-feira (7), Dilma Rousseff adotou uma postura assertiva em relação às tentativas de derrubá-la da presidência da República. “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair”, afirmou. Ela desafiou a oposição a tirá-la do cargo: “E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam.”

A presidenta rebateu os adversários que cravam que ela não chegará ao fim do mandato, em 2018. “Isso do ponto de vista de uma certa oposição um tanto quanto golpista. Eu não vou terminar por quê? Para tirar um presidente da República, tem que explicar por que vai tirar. Confundiram seus desejos com a realidade, ou tem uma base real?”, declarou. “Não acho que toda a oposição que seja assim [golpista]. Assim como tem diferenças na base do governo, tem dentro da oposição. Alguns podem até tentar, não tenho controle disso. Não é necessário apenas querer, é necessário provar.”

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Dilma também comentou os boatos de que teria tentado se suicidar. “Outro dia postaram que eu tinha tentado suicídio, que estava traumatizadíssima. Não aposta nisso, gente. Foi cem mil vezes pior ser presa e torturada. Vivemos numa democracia. Não dá para achar que isso aqui seja uma tortura. Não é”, disse. “Eu não quis me suicidar na hora em que eles estavam querendo me matar [na prisão, durante a ditadura militar]! A troco de quê vou querer me suicidar agora? É absolutamente desproporcional.”

De forma convicta, a petista negou qualquer envolvimento com atos de corrupção. “Eu não sou culpada. Se tivesse culpa no cartório, me sentiria muito mal. Eu não tenho nenhuma. Nem do ponto de vista moral, nem do ponto de vista político”, assegurou. Ela contestou as acusações de que doações para sua campanha à reeleição, no ano passado, tiveram origem ilícita. “Meu querido, é uma coisa estranha. Porque, para mim, no mesmo dia em que eu recebo doação, em quase igual valor o candidato adversário recebe também. O meu é propina e o dele não?”.

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Rousseff falou ainda sobre o custo político do caso de corrupção na Petrobras para a sua imagem e a de seu partido. “Óbvio que não [tenho nada a ver com o caso]. Mas não estou falando que paguei conta nenhuma também. O Brasil merece que a gente apure coisas irregulares”, asseverou. “Agora excesso, não [aceito]Comprometer o Estado democrático de direito, não. Foi muito difícil conquistar. Garantir direito de defesa para as pessoas, sim. Impedir que as pessoas sejam de alguma forma ou de outra julgadas sem nenhum processo, também não [é possível].

Questionada sobre as prisões de executivos durante o processo – como os presidentes da Odebrecht, Andrade Gutierrez e UTC –, a presidenta contestou a postura do juiz Sérgio Moro. “Não gostei daquela parte [da decisão de Moro] que dizia que eles deveriam ser presos porque iriam participar no futuro do programa de investimento e logística e, portanto, iriam praticar crime continuado. Ora, o programa não tinha licitação. Não tinha nada”, indicou. Ela disse não discordar das práticas de delação premiada: “Eu conheço interrogatórios. Sei do que se trata. Eu acreditava no que estava fazendo e vi muita gente falar coisa que não queria nem devia. Não gosto de delatores.”

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Quanto ao ex- presidente Lula, Dilma afirmou “respeitá-lo muito”. Podem querer, mas não faço crítica ao Lula. Não preciso. Deixa ele falar. O presidente Lula tem direito de falar o que quiser”, defendeu. Já sobre o PMDB, garantiu não haver problemas de relacionamento. “Quem quer me tirar não é o PMDB. Nã-nã-nã-não! De jeito nenhum. Eu acho que o PMDB é ótimo. As derrotas que tivemos podem ser revertidas”, relatou.

Ao final da entrevista, Dilma endossou que não há chances de sua história ser maculada devido às investigações da Operacão Lava Jato, já que não tem nenhuma ligação a elas.  “Ô, querida, e vão mexer como [na minha biografia]? Vão reescrever? Vão provar que algum dia peguei um tostão [de dinheiro sujo]? Vão? Quero ver algum deles provar. Todo mundo neste país sabe que não. Quando eles corrompem, eles sabem quem é corrompido”, finalizou.

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

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