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02 de agosto de 2018, 17h55

Ex-ministro da Educação dá “aula” para Bolsonaro sobre cotas em universidades

No Roda Viva, Bolsonaro se colocou contra as cotas raciais e disse que um branco pode ser reprovado com 9 no vestibular, enquanto um negro entraria com 5; Renato Janine Ribeiro, professor e ex-ministro da Educação, detalhou como funciona o sistema de cotas no Brasil para refutar a fala inverídica do pré-candidato

Fotos Públicas
O professor e ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, fez uma postagem em seu Facebook que é uma verdadeira aula sobre o sistema de cotas no Brasil. O texto, que viralizou, refuta informações inverídicas dadas por Bolsonaro sobre o ingresso de estudantes cotistas nas universidades durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira (30). Confira. Por Renato Janine Ribeiro, em seu Facebook PARA OS APOIADORES DE BOLSONARO Seu candidato cometeu um erro ao falar das cotas. Disse que um branco pode ser reprovado com 9 no vestibular, enquanto um negro entraria com 5. Isso é impossível. As...

O professor e ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, fez uma postagem em seu Facebook que é uma verdadeira aula sobre o sistema de cotas no Brasil. O texto, que viralizou, refuta informações inverídicas dadas por Bolsonaro sobre o ingresso de estudantes cotistas nas universidades durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira (30).

Confira.

Por Renato Janine Ribeiro, em seu Facebook

PARA OS APOIADORES DE BOLSONARO

Seu candidato cometeu um erro ao falar das cotas. Disse que um branco pode ser reprovado com 9 no vestibular, enquanto um negro entraria com 5.

Isso é impossível.

As cotas funcionam assim, nas universidades e institutos federais:

Metade das vagas são de cotas, metade de competição universal.

Os 50% de cotistas são para alunos que vêm do ensino público.

As cotas de negros e indígenas ficam dentro desses 50%. Isto é: eles têm que vir do ensino público (portanto, um negro que vem do ensino particular NAO tem direito a cota) e correspondem ao porcentual de negros ou indígenas no Estado.

Nos cursos que exigem notas altas para entrar, como Medicina, a nota terá que ser alta tanto para o cotista quanto o não-cotista. Isto é: pode acontecer de um branco, egresso de escola PARTICULAR, não entrar com nota 5,5 – enquanto um BRANCO, vindo de escola PÚBLICA (e portanto cotista),entre com nota 5. Ou que entre um negro, de escola PÙBLICA, mas o exemplo que Bolsonaro deu não existe.

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Insisto: as cotas não são apenas étnicas ou raciais.

Elas são essencialmente para a ESCOLA PÚBLICA, que é onde estão o branco e o negro POBRES.

Não dá para jogar aqui o branco contra o negro (ou o indígena).

Mais um dado importante: antes de serem criadas as cotas, o ensino superior federal tinha CEM MIL vagas de ingresso.

Junto com as políticas de cotas, o total de vagas subiu para 230 MIL.

Portanto, os cotistas NÃO TIRARAM VAGA DE NINGUÉM.

Hoje os não-cotistas têm 115 MIL VAGAS, isto é, 15 MIL a mais do que tinham em 2002.

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