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11 de fevereiro de 2018, 13h45

Filho de lavradora passa na primeira colocação em mestrado em Portugal

Iderlan de Souza se classificou em primeiro na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal, para cursar arqueologia pré-histórica e arte rupestre

Aos 31 anos, Iderlan de Souza passou boa parte de sua vida dividindo os poucos alimentos providos pela mãe, lavradora, com mais nove irmãos. Vivendo sob o sol escaldante, enfrentando a seca e a fome comuns na caatinga nordestina no interior do Piauí, é uma exceção exemplar de superação. Ele foi o primeiro da família a entrar na faculdade e se formou em arqueologia em 2016. Depois passou em primeiro lugar no mestrado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal. O curso, de arqueologia pré-histórica e arte rupestre, é formado por um consórcio de seis universidades europeias...

Aos 31 anos, Iderlan de Souza passou boa parte de sua vida dividindo os poucos alimentos providos pela mãe, lavradora, com mais nove irmãos. Vivendo sob o sol escaldante, enfrentando a seca e a fome comuns na caatinga nordestina no interior do Piauí, é uma exceção exemplar de superação. Ele foi o primeiro da família a entrar na faculdade e se formou em arqueologia em 2016. Depois passou em primeiro lugar no mestrado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal. O curso, de arqueologia pré-histórica e arte rupestre, é formado por um consórcio de seis universidades europeias e faz parte do programa Erasmus Mundus. As informações são de Marina Estarque, da Folha de S.Paulo.

Iderlan nasceu dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara, que tem a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas. Ele entrou na faculdade e se formou em arqueologia pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, criada nos anos 2000 para atender o semiárido, com campi em três Estados do Nordeste. A monografia dele foi sobre a relação entre o homem e a megafauna e foi considerada inovadora.

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A mãe e os irmãos mais velhos trabalhavam na roça, cultivando a terra de outras pessoas. Por ser o mais jovem, Iderlan foi poupado. “De certa forma eu tive mais oportunidade, só fui para a roça com 16 anos”, diz. Mesmo assim, o trabalho atrapalhou os estudos. “Tive alguns atrasos para terminar o ensino médio”, explica. Com o tempo, os irmãos cresceram e migraram para outras cidades. As irmãs ficaram e seguraram as pontas.

Sua mãe mal frequentou a escola. “Ela diz que não sabe ler, mas me ensinou o alfabeto. Quando ela se esforça, consegue descobrir as palavras”. Desde que soube do resultado, Iderlan tem juntado dinheiro para a viagem. Ele trabalha atualmente como guia no parque e ganha em média R$ 2 mil por mês. Pretendia viajar em 2017, mas não conseguiu pagar o curso a tempo e perdeu o ano.

“Tenho que pagar o curso, fora os gastos lá. A vaquinha está indo bem, já arrecadou R$ 5.800, não esperava”, afirma. Sua mulher e o filho, de sete anos, também dão força para a iniciativa. Mesmo com o apoio de colegas, familiares e com o reconhecimento dos pares, a mãe de Iderlan ainda tem dúvidas sobre a profissão do filho. “Ela fica muito orgulhosa com a minha luta, mas não entende bem a importância da minha área. Acha que só a graduação já está bom, não precisa de mestrado”, conta ele, sorrindo.

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Com informações da Folha de S.Paulo

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

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