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07 de fevereiro de 2017, 21h00

Filho de Teori diz ainda ter dúvidas sobre tese de acidente

Francisco foi quem denunciou nas redes sociais, no início de 2016, as ameaças que a família de Teori vinha sofrendo desde que ele assumiu a relatoria da Lava-Jato e determinou que o juiz Sérgio Moro, magistrado de primeira instância, devolvesse os processo envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao STF. As ameaças chegavam à família especialmente por Francisco, através de emails e redes sociais e preocupavam o pai Por Fernanda Canofre, no Sul 21 O governo Michel Temer esperou dezoito dias, após o acidente de helicóptero com o ministro Teori Zavascki, para indicar quem seria seu sucessor no...

Francisco foi quem denunciou nas redes sociais, no início de 2016, as ameaças que a família de Teori vinha sofrendo desde que ele assumiu a relatoria da Lava-Jato e determinou que o juiz Sérgio Moro, magistrado de primeira instância, devolvesse os processo envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao STF. As ameaças chegavam à família especialmente por Francisco, através de emails e redes sociais e preocupavam o pai

Por Fernanda Canofre, no Sul 21

O governo Michel Temer esperou dezoito dias, após o acidente de helicóptero com o ministro Teori Zavascki, para indicar quem seria seu sucessor no Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (06), Temer anunciou o nome do atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga. Um nome polêmico entre juristas, já que Moraes é filiado ao PSDB, trabalhou na defesa de uma empresa investigada por ligação com o PCC, e ocupa um cargo no governo – o que contraria sua própria tese, de que nomeações do tipo deveriam ser proibidas, para não parecer “gratificação política”.

O filho de Teori, o advogado Francisco Prehn Zavascki, disse preferir “não se manifestar sobre o assunto” no momento. “Não vou me manifestar sobre isso. Nesse momento a gente estava bem fora do assunto, acompanhamos pela imprensa, mas não acompanhamos de perto”, afirmou por telefone ao Sul21.

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Francisco foi quem denunciou nas redes sociais, no início de 2016, as ameaças que a família de Teori vinha sofrendo desde que ele assumiu a relatoria da Lava-Jato e determinou que o juiz Sérgio Moro, magistrado de primeira instância, devolvesse os processo envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao STF. As ameaças chegavam à família especialmente por Francisco, através de emails e redes sociais e preocupavam o pai.

“Ele se preocupava, todo mundo se preocupava, porque acabava envolvendo não só os filhos, mas os netos dele. Teve uma, que foi o auge do absurdo, pegaram a foto do meu sobrinho, que tinha dois anos de idade na época, e diziam: se encontrar com ele por aí, dá uma prensa nele. Uma criança, um bebê. Esse nível de coisas”, conta ele.

A última vez que falou com o pai foi na véspera do acidente. Conhecido pela postura reservada e por evitar comentar assuntos de trabalho, em meio a família, o ministro Teori desabafava sobre o peso de levar um processo como a Lava-Jato e como 2017 seria um ano difícil. “Ele tinha bem essa noção e estava preocupado com isso. Eu falei pouco com ele, falei na véspera da morte com ele, falava isso: que vinha muita coisa nessas delações da Odebrecht que iam sacudir o país”, diz Francisco. “Mas era um cara muito forte, tanto que carregou toda essa bronca sem muitos percalços”.

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Dezenove dias depois da queda do avião, que causou a morte de Teori e outras quatro pessoas, Francisco diz ainda ter dúvidas sobre as circunstâncias da queda do avião. “Tenho. Eu não tenho conclusões nenhuma ainda, até porque, do que a gente sabe da investigação, é tudo muito preliminar. Não estou dizendo nem que sim, nem que não. Vou aguardar”.

Na missa de sétimo dia de Teori, o filho pediu à imprensa que seguisse investigando o caso e checando todo tipo de informação que fosse levantada. Apesar de acreditar que a imprensa pode “trazer a verdade à tona”, no entanto, Francisco também diz que “talvez nunca se esclareça tudo”.

Filho aprova Lava-Jato nas mãos de Fachin

Francisco usou as redes sociais, na última quinta, para comentar também o nome do novo relator do processo que teria sido um dos maiores desafios da carreira do seu pai. Após pedir para trocar de turma e ser incluído no sorteio, o ministro Edson Fachin foi anunciado como novo responsável pela Lava-Jato na Corte.

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“Acho que está nas melhores mãos possíveis. Conheço o ministro Fachin desde antes de ele ser ministro. Ele é um ser humano fantástico, um cara muito humilde, tranquilo, seguro de si, e técnico, reservado, bem no estilo que o pai era”, avaliou ele.

Durante o velório de Zavascki, no dia 21 de janeiro, em Porto Alegre, Fachin conversou rapidamente com a imprensa e comentou a proximidade com o colega. O ministro disse que considerava Teori seu “irmão de bancada” e que os dois sempre se sentaram lado a lado no Plenário. Fachin lembrou ainda da última conversa dos dois: “Quando nos despedimos no Tribunal, falamos um pouco sobre o sentido da nossa vida, dos afazeres que como todos os senhores têm acompanhado, como grande parte da população brasileira tem acompanhado, tem sido afazeres de uma ‘alta voltagem’, para usar uma expressão que já foi cunhada. Então nós dizíamos a importância de manter a serenidade e eu fiz uma brincadeira com Teori dizendo: no seu caso, é um pleonasmo, serenidade combina com seu nome”.

Foto: Reprodução/Facebook

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