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05 de outubro de 2018, 18h00

Folha proíbe jornalistas de usar termo “extrema direita” para se referir a Bolsonaro

De acordo com o jornal, Bolsonaro, que já chegou a sugerir o "fuzilamento" de "petralhas", não prega a violência e, portanto, não se aplica usar o termo "extrema direita"; orientação indignou jornalistas

Foto: Reprodução
O jornal Folha de S. Paulo, um dos maiores do país, divulgou nesta semana um comunicado interno em que proíbe seus jornalistas de usar o termo “extrema direita” para se referir ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). A orientação determina ainda que o termo “extrema esquerda” não seja usado para se referir ao candidato Guilherme Boulos (PSOL). Fórum teve acesso ao comunicado assinado pelo secretário de redação Vinicius Mota que explica: o termo “extrema direita” e “extrema esquerda” deve ser utilizado apenas para designar  “facções que praticam ou pregam a violência como método político”. Para o jornal, no entanto, não há...

O jornal Folha de S. Paulo, um dos maiores do país, divulgou nesta semana um comunicado interno em que proíbe seus jornalistas de usar o termo “extrema direita” para se referir ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). A orientação determina ainda que o termo “extrema esquerda” não seja usado para se referir ao candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Fórum teve acesso ao comunicado assinado pelo secretário de redação Vinicius Mota que explica: o termo “extrema direita” e “extrema esquerda” deve ser utilizado apenas para designar  “facções que praticam ou pregam a violência como método político”. Para o jornal, no entanto, não há na conduta de Bolsonaro, que já chegou a sugerir o fuzilamento de “petralhas”, pregação de violência.

“Não há, na atual disputa eleitoral brasileira, nenhuma candidatura que se enquadre nessa categoria. Jair Bolsonaro, do PSL, deve ser tratado como candidato de direita”, diz o texto.

Incoerentemente, no último sábado (29), a Folha divulgou um editorial de capa em que afirma que Bolsonaro faz “aceno a ideias autoritárias” e que “não se tolera esse flerte grotesco com torturadores, essa iconografia basbaque da pistolagem, esse deboche rudimentar das mulheres nem esse desprezo epidérmico pelas minorias os quais Bolsonaro tem patrocinado”.

Veja também:  A política da truculência perdeu quatro eleições, mas infelizmente venceu uma

Fontes ouvidas pela reportagem da Fórum afirmam que a orientação indignou a maior parte dos jornalistas.

Confira, abaixo, a íntegra do comunicado.

Para: todos os jornalistas

Assunto: Extrema direita, extrema esquerda

Lembro que o Manual da Redação, no verbete “Qualificação ideológica” (seção “Atuação jornalística”), reserva o uso dos termos “extrema direita” e “extrema esquerda” para designar “facções que praticam ou pregam a violência como método político”. Não há, na atual disputa eleitoral brasileira, nenhuma candidatura que se enquadre nessa categoria. Jair Bolsonaro, do PSL, deve ser tratado como candidato de direita. Guilherme Boulos, do PSOL, como candidato de esquerda. A determinação vale apenas para textos noticiosos, não se aplicando a artigos de opinião.

Vinicius Mota

Secretário de Redação

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