sexta-feira, 25 set 2020
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 “A Rede Globo é a grande derrotada desta eleição”, diz Sergio Amadeu   

Em entrevista exclusiva à Fórum, o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, um dos grandes defensores do software livre e da inclusão digital no Brasil, falou sobre o esquema revelado pelo jornal Folha de S. Paulo de que empresários teriam pago pelo menos R$ 12 milhões para fazer disparos em massa contra o PT pelo WhatsApp. “Esses disparos vêm de empresas no Brasil e no exterior, contratadas fora da campanha oficial. É a velha política, os velhos traços do patrimonialismo que são reorganizados e ressignificados nessa campanha”, afirmou.

O professor explicou ainda a força que o aplicativo tem no eleitorado. “O WhatsApp é hoje um dos principais dispositivos de comunicação do brasileiro. Ele já foi importante na eleição de 2014, mas de lá pra cá, 90% dos internautas que têm perfil na internet tem WhatsApp.  Ele é um comunicador, a gente chama tecnicamente de mensageiro instantâneo, e tem uma limitação, quem não está no grupo não consegue ver. Temos muita dificuldade de estudá-lo”, disse.

Para ele, a campanha de Bolsonaro é uma cópia do que foi a de Donald Trump. “Estamos lidando com uma campanha que é uma cópia da campanha americana. E se tem uma coisa que não se tem nenhum parâmetro é com a ética”, destacou. Isso ocorre por conta da criação de fake news, como o caso do Kit Gay, desmentido pelo TSE. “Durante esse período foi produzido o que a gente chama de uma situação de desinformação generalizada, eles fazem efetivamente a desinformação e a descontextualização, isso produz uma fábrica de mentiras que apelam exatamente para aquilo que você quer ouvir.”

De acordo com Amadeu, a campanha trabalhou a modulação de informação e comportamento e agora a grande derrotada desta eleição é a Rede Globo, “que não sabe o que fazer”. “Perderam a hegemonia para as forças de extrema direita norte-americana.”

O professor também chamou a atenção para o risco do Decreto 9.527/2018, que criou uma Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. “Esse decreto visa a garantia e a ordem política que o Bolsonaro vai precisar, porque o governo Bolsonaro será caótico, um governo de destruição de direitos. O decreto fala de crime organizado sem definir o que é, mas diz que são grupos que enfrentam o Estado brasileiro, então é o Greenpeace na Amazônia, é o MST no meio rural, é o MTST nas cidades, os movimentos urbanos por habitação, os movimentos de defesa da saúde. É a retomada da doutrina do inimigo interno, que foi a doutrina principal da ditadura militar, ou seja, o inimigo interno voltou com muita força e o externo não é mais o inimigo por isso que eles vão fazer concessões e entregar rapidamente as riquezas nacionais, se forem bem-sucedidos.”

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Redação
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