Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
05 de outubro de 2018, 19h37

“Bolsonaro é candidato a formar um Reich”, diz especialista em neonazismo

Em entrevista à Fórum, Adriana Dias, doutora em antropologia social que pesquisa o neonazismo há mais de 15 anos, explicou como a ascensão de Jair Bolsonaro fomentou a atuação de grupos de extrema direita no Brasil e como o militar da reserva está mais próximo do neonazismo do que muitos acreditam

Fotos Públicas

A candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) está muito mais próxima do neonazismo do que muitos acreditam. A afirmação é de Adriana Dias, doutora em antropologia social que estuda o fenômeno da extrema direita no Brasil há mais de quinze anos.

Em entrevista à Fórum, Adriana contou que, quando iniciou sua pesquisa sobre neonazismo em 2002, muitos questionaram sua motivação, pois em tese não haveria nenhuma articulação forte neonazista no país. Segundo a pesquisadora, no entanto, com os anos sua tese de que haveria uma explosão desses movimentos se confirmou.

“Eu via um potencial crescimento desse movimento. Acabou acontecendo. Quando a realidade provou meus dados eu fiquei bastante desanimada. Preferia estar errada”, diz.

De acordo com Adriana, em 2002, no início de seus estudos sobre o tema, ela havia conseguido identificar 8 mil sites em português de conteúdo neonazista. Atualmente, são mais de 400 mil pessoas em fóruns, sites e comunidades com cunho de extrema direita.

“É uma coisa tsunâmica. Esse processo não cresceu por causa de um fator só”, pontua. Para a antropóloga, são basicamente três fatores que estiveram atrelados ao crescimento desses movimentos: a crença no mito da meritocracia; a construção do “outro” – isto é, sempre ter alguém a quem culpar: o pobre, o gay, o negro, as mulheres, o nordestino; e o culto à masculinidade. Os três fatores, segundo Adriana, são os mesmos que criaram o ambiente para a ascensão do nazismo na Alemanha.

“Falam que fascismo é algo démodé, do passado. Não é. O fascismo está presente no Brasil hoje. O neonazismo é um perigo verdadeiro à civilização ocidental”, alerta.

Bolsonaro 

Adriana Dias explica que a ascensão da figura de Bolsonaro, com seus discursos racistas, machistas, elitistas e opressores, fomentou uma atuação mais forte desses grupos neonazistas. “A extrema direita se aproveitou dessas falas de Bolsonaro e construiu nele um ícone. E em cima dessa construção, movimentos neonazistas começaram a fazer chamamentos. Atos na Paulista, no Rio de Janeiro, todos em datas nazistas. Eles chamavam eventos pró-Bolsonaro”, explica.

A antropóloga relembra, ainda, que Bolsonaro jamais tentou se desassociar dos grupos nazistas que faziam manifestações usando seu nome. “Pelo contrário: ele mandou cartas de apoio para grupos neonazistas”, revela.

Ao longo da entrevista, a pesquisadora explicou qual a relação desses grupos neonazistas com Bolsonaro e como o discurso fascista se faz presente na candidatura do militar da reserva. Ela ainda disparou: “Eu duvido que depois de eleito ele saia do poder. Duvido que depois de eleito haja outra eleição. Ele é candidato a formar um Reich”.

Assista, abaixo, a íntegra da entrevista.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum