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24 de agosto de 2018, 18h56

São Paulo e o risco dos tucanos perderem o estado governado há 24 anos

São Paulo sempre foi o trampolim para o sucesso tucano em nível nacional, no entanto, após seis vitórias seguidas para o governo estadual - três delas no primeiro turno - o PSDB pode perder o governo estadual após 24 anos

Nas eleições de 2018, o PSDB pode perder o governo do Estado de São Paulo pela primeira vez em seis eleições. Mandatário no estado desde 1994, quando elegeu Mário Covas, o partido tucano aposta no ex-prefeito paulistano João Doria para confirmar a sétima vitória seguida no estado mais populoso e mais forte economicamente da federação.

Foram essas seis vitórias que permitiram as duas eleições de FHC nas eleições nacionais de 1994 e 1998 e levaram José Serra em 2002 e 2010, Geraldo Alckmin em 2006 e Aécio Neves em 2014 ao segundo turno das eleições presidenciais. Em resumo, São Paulo sempre foi o trampolim para o sucesso tucano em nível nacional.

O cientista político e especialista em eleições Alberto Carlos Almeida diz que o desempenho de Alckmin como governador e, agora, na eleição nacional podem impactar fortemente o resultado do concorrente tucano em São Paulo, João Doria. Para além das inúmeras polêmicas nas quais Doria se envolveu, como o projeto Cidade Linda, o aumento da velocidade nas Marginais, a farinha feita com restos de comida e o “muro de vidro” na raia da USP, a avaliação ruim de Alckmin pode sacramentar a primeira derrota tucana em São Paulo desde a fundação do partido.  

Autor dos livros A cabeça do brasileiro, A cabeça do eleitor e do recém-lançado O voto do brasileiro (editora Record), onde faz uma análise das últimas três eleições presidenciais, Almeida cita o número mágico de 45% – o percentual ser o mesmo número da legenda partidária do PSDB é só coincidência. O cientista político diz que um governo com percentual de aprovação abaixo desse patamar não consegue se reeleger ou fazer o seu sucessor.

“Em mais de duas décadas analisando eleições e padrões de votação, percebi que raras vezes um governo com 35% ou 45% de avaliação positiva (bom e regular) não consegue se reeleger. Este ano, Alckmin deixou o governo paulista com 36% de aprovação. É um patamar baixo, tanto para as pretensões presidenciais de Alckmin quanto para as chances de Doria em manter o domínio tucano em seu principal reduto eleitoral”, sublinha Almeida.

Geraldo Alckmin patina com percentuais que variam de 6% a 8% – Almeida acredita que a situação tucana em nível nacional é complicada, pois apenas quatro anos atrás Aécio Neves tinha de 15% a 18%. Ou seja, três vezes mais potencial de votos para serem transferidos aos candidatos estaduais. Segundo o cientista político, ironicamente, a derrocada tucana tem a ver com o bombardeio sofrido pelo PT entre 2014 e 2016: “O PT e o PSDB são faces da mesma moeda. Como o PSDB sempre se colocou como o partido antipetista por excelência, a queda petista refletiu na votação tucana”.

No estado de São Paulo, o PSDB ganhou as últimas seis eleições, sendo as três últimas, no primeiro turno. Até o final de 2018, os caciques tucanos contavam com uma vitória tranquila de Doria, talvez um triunfo já na primeira rodada de votação. Pesquisas informais feitas por partidos e mesmo sondagens feitas por institutos colocavam Doria com até 40% de intenções de votos.  

Entretanto, apenas oito meses depois, a realidade se mostra bem mais dura para os tucanos. Na pesquisa eleitoral feita pelo Datafolha, divulgada em 22 de agosto de 2018, João Doria aparece com apenas 25% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Paulo Skaf, do MDB, que soma 20%. Doria é o mais rejeitado, 32% do eleitorado não votaria nele de jeito nenhum. 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, afirma que dois fatores serão importantes na corrida eleitoral deste ano: o alto índice de rejeição aos políticos, de modo geral e o curto tempo até o pleito – são apenas 45 dias até a eleição, marcada para 7 de outubro. “Vamos ver como a TV vai influenciar as pesquisas, pois o cenário ainda está muito indefinido. Por conta de uma rejeição à política, em muitos, estados, quando somamos brancos, nulos e indecisos temos um percentual próximo a 50%”, acentua Paulino.

A despeito de ser uma campanha com metade do tempo usual, Paulino acredita que há espaço para mudanças drásticas, tanto no cenário nacional quanto nos estados. “Skaf pode bater Doria por que tem toda a estrutura do Sistema S e da Fiesp para ajudá-lo a chegar no segundo turno.” Hoje, o candidato do MDB é o maior favorito a destronar os tucanos em São Paulo.

Paulino também não descarta a possibilidade de crescimento dos outros dois concorrentes ao governo do estado: o atual governador Márcio França (PSB), vice de Alckmin no pleito de 2014 e do petista Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo. “Ambos estão com percentuais ao redor de 5%, mas não podem ser descartados.” De acordo com o diretor do Datafolha, “França tem a máquina estadual  na mão e também é aliado de Alckmin, podendo usufruir do apoio do ex-governador”.

Já no caso de Luiz Marinho, Paulino aponta duas fortalezas: “O PT sempre se caracterizou por ser um partido de chegada, especialmente em São Paulo. Basta lembrar da virada de Haddad sobre Russomanno na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012. É um ponto positivo que não pode ser descartado”, afirma Paulino.

Por fim, o fator Lula pode impulsionar a candidatura de Marinho: “O ex-presidente sempre foi protagonista nas eleições desde 1989 e o apoio de Lula certamente fará crescer o percentual de votação de Marinho. Não ficaria surpreso se Marinho chegasse a 15% e ficasse competitivo pela vaga no segundo turno”, finaliza Paulino.


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