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15 de março de 2019, 18h46

Funcionários da Caixa protestam contra a privatização e destacam papel social do banco

“Estão adotando medidas na Caixa que já foram adotadas em outros bancos, como Banespa, Banerj, Banestado, que é a tática do desmonte”, disse em entrevista à Fórum, Dionísio Reis

(Foto: Divulgação/Fenae)
Nesta sexta-feira (15), empregados da Caixa Econômica Federal se vestiram de preto, realizaram protestos contra o que denunciam ser o desmonte do banco público e distribuíram uma carta aberta ao presidente da CEF, Pedro Guimarães. Também foi organizado um tuitaço com a hashtag #ACaixaÉdoBrasil. Segundo a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a mobilização é “uma resposta aos recentes posicionamentos da nova diretoria, que já deu início ao desmonte da Caixa, o maior banco público da América Latina e principal agente do desenvolvimento social do país, com a venda de ativos e promete privatizar as áreas...

Nesta sexta-feira (15), empregados da Caixa Econômica Federal se vestiram de preto, realizaram protestos contra o que denunciam ser o desmonte do banco público e distribuíram uma carta aberta ao presidente da CEF, Pedro Guimarães. Também foi organizado um tuitaço com a hashtag #ACaixaÉdoBrasil.

Segundo a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a mobilização é “uma resposta aos recentes posicionamentos da nova diretoria, que já deu início ao desmonte da Caixa, o maior banco público da América Latina e principal agente do desenvolvimento social do país, com a venda de ativos e promete privatizar as áreas mais rentáveis do banco ainda este ano”.

“Estão adotando medidas na Caixa que já foram adotadas em outros bancos, como Banespa, Banerj, Banestado, que é a tática do desmonte”, disse em entrevista à Fórum, Dionísio Reis, coordenador da (CEE/Caixa), que assessora a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) nas negociações com o banco.

Segundo Reis, hoje a Caixa vive um momento crítico, onde se pretende  vender as partes mais lucrativas e mais estratégicas do banco, facilitando um discurso na sociedade da necessidade de privatizá-lo. “Por outro lado, a sociedade já não tem elementos que tinha no passado para defender a Caixa”, afirmou. “A realidade que a Caixa vive desde 2016 pra cá já não é a ideal. A Caixa não vem praticando os melhores juros para a população, não vem operando com a maior oferta de crédito e melhores condições de atendimento. Parou um ciclo virtuoso, que era de contratação, de abertura de agências, aumento da capilaridade, alcançando todos os municípios do país.”

Trabalhadores foram de preto em defesa do banco (Foto: Divulgação/Fenae)

Papel social da Caixa

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A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) chama atenção para o papel social insubstituível da Caixa. “O desmonte terá consequências diretas para os empregados, mas também haverá reflexos para toda sociedade, na oferta da moradia e infraestrutura, no bem-estar dos trabalhadores e de toda população”, afirmou o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

De acordo com a entidade, “a Caixa é o banco da casa própria, por ser responsável por sete em cada dez financiamentos habitacionais no Brasil (no caso da moradia popular, chega a 90%). A Caixa é o banco do trabalhador, pois paga o seguro-desemprego, o abono-salarial e o PIS, entre outros benefícios.  Mas também é o banco da poupança (40% das poupanças brasileiras) e o banco da infraestrutura, pois leva saneamento básico, energia e urbanização aos municípios mais distantes. Além disso, 37% da arrecadação das loterias vão para programas sociais que atendem milhões de brasileiros”.

Segundo Dionísio Reis, os empregados solicitaram reunião com a diretoria para que se esclarecesse as mudanças que estão sendo feitas, mas o banco se recusou a passar informações e esclarecimentos às entidades de representação.

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