MEIO AMBIENTE

COP 30 debate sistemas alimentares como parte da solução climática

A partir da visão do Sul Global, Pavilhão "Food Roots and Routes" é espaço que valoriza a diversidade dos territórios e os alimentos na agenda climática

Pauta principal do pavilhão é transição ecológica justa dos sistemas alimentares como parte da solução climática.Créditos: Luppa Lab
Escrito en GASTRONOMIA el

Responsáveis por cerca de 74% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, segundo dados do Observatório do Clima, os sistemas alimentares têm papel central no enfrentamento da crise climática, mas ainda recebem menos de 7% do financiamento climático global, de acordo com o ClimateShot Investor Coalition (CLIC). 

Motivo mais do que suficiente para a presença de um espaço que venha somar a um esforço crescente nas últimas COPs de posicionar o tema de forma central na agenda de clima. Essa é a ideia central do Pavilhão Food Roots and Routes, que está funcionando diariamente das 9h às 18h15, até o 21 de novembro, na Zona Azul da COP30. O espaço reunirá 70 eventos que colocarão os sistemas alimentares sustentáveis no centro do debate da agenda climática, a partir de experiências e conhecimento acumulado em contextos do Sul Global. A coordenação é do Instituto Comida do Amanhã, com apoio do Instituto Ibirapitanga e da Tilt Collective.

“A curadoria do pavilhão Food Roots and Routes buscou criar um espaço plural de debates e compartilhamento de experiências  do sul global que apontam caminhos para construção de soluções climáticas a partir de sistemas alimentares que valorizam a agroecologia, a biodiversidade, o conhecimento dos povos e comunidades tradicionais e a saúde das pessoas e do planeta", comenta Francine Xavier, diretora do Comida do Amanhã.

A  pauta principal do pavilhão é transição ecológica justa dos sistemas alimentares como parte da solução climática, com foco na visão, experiências, conhecimentos, proposições sistematizadas e contribuições do Sul Global, com uma curadoria temática que propõe discutir caminhos para a transformação dos sistemas alimentares a partir de diferentes perspectivas.

As conversas vão abordar desde a transição para sistemas sociobiodiversos e agroecológicos, que valorizam a e os saberes tradicionais, até temas como soberania alimentar e democratização do acesso a alimentos saudáveis, inclusão produtiva e sustentabilidade rural e o papel da bioeconomia na promoção de modelos alimentares mais justos e resilientes. 

Também estarão em pauta as políticas públicas e os mecanismos de financiamento necessários para impulsionar a transição dos sistemas alimentares, como por exemplo, estratégias voltadas ao combate ao desperdício e ao fortalecimento dos circuitos locais de produção e consumo, reforçando a importância de sistemas alimentares que gerem benefícios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada.

Além disso, o espaço se propõe a discutir os desafios estruturais que limitam o avanço de sistemas alimentares justos e resilientes, do financiamento à governança, passando por tecnologia, políticas públicas e inclusão produtiva, além de apontar caminhos concretos para uma transição ecológica justa.


Visibilidade a quem merece

As atividades vão dar visibilidade a iniciativas emblemáticas que demonstram como é possível transformar os sistemas alimentares de forma a se tornarem mais  diversos e saudáveis, que valorizam os povos e comunidades tradicionais, a agricultura familiar e a saúde das pessoas e do planeta.

O espaço pretende inspirar e conectar lideranças de diferentes setores, garantindo a representatividade de indígenas, quilombolas, agricultores familiares, pesquisadores, sociedade civil organizada e movimentos sociais. O objetivo é ampliar a incidência de vozes do Sul Global nos debates oficiais da COP, fortalecendo pontes entre a Green Zone e a Blue Zone, os dois principais espaços de diálogo e negociação da conferência.

Para conferir a programação completa, acesse o site foodrootsandroutespavilion-cop30.org/programacao. 
 

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