Pode até ser que o pão de queijo ainda esteja na liderança, mas tem um salgado típico brasileiro que vem galgando ano a ano mais espaços no cenário gastronômico: a coxinha. Mais do que um simples petisco, ela se tornou um símbolo da gastronomia afetiva brasileira, que desperta lembranças e afeto, mas agora em novos contextos.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o mercado de salgados registrou crescimento de 10% no último ano. O fenômeno reflete uma tendência mais ampla da microeconomia brasileira: a valorização de negócios que apostam na nostalgia, simplicidade e identidade cultural como diferenciais de valor. Em um mercado que movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano, segundo o Sebrae, produtos com apelo emocional têm conquistado espaço mesmo em períodos de instabilidade.
Nesse cenário, a coxinha deixou de ser apenas um lanche popular e passou a ocupar espaço de destaque em cafeterias gourmet, eventos corporativos e reuniões de negócios, simbolizando a sofisticação do simples na mesa do brasileiro.
“A coxinha sempre teve um poder emocional muito forte, porque representa memória e aconchego. O que muda é o cenário: ela migrou da vitrine da padaria de bairro para espaços antes ocupados por produtos mais tradicionais, como o pão de queijo”, explica Pablo Farias, CEO da rede Loucos por Coxinha, que acompanha de perto esse movimento de valorização do salgado no food service.
Também figura como petiscos e entradas em restaurantes, que usam de seu formato icônico para chamar atenção, agregando diferenciais e recheios diferentões e inusitados, como é o caso da Casa Bambuí (Campos do Jordão - SP), que apresenta no menu coxinhas defumadas de truta da Mantiqueira, ou do restaurante Pira (Campo Grande - MS e Campinas-SP), de comida pantaneira, que serve coxinha de jacaré.