Aquele prato bem brasileiro, que traz a dupla arroz com feijão como acompanhamentos, não faz bem apenas para a saúde, mas para todo o planeta. Isso é o que revela um estudo inédito, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O consumo contínuo dessa combinação tradicional da mesa brasileira acrescenta, em média, 2,11 minutos de vida saudável.
O levantamento, publicado na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health, analisou o impacto de 33 alimentos populares no Brasil sob dois aspectos: efeitos sobre a saúde (medidos em “minutos de vida saudável”) e impacto ambiental, considerando emissões de gases de efeito estufa e consumo de água.
De acordo com os pesquisadores, a dupla equilibra nutrição, sustentabilidade e acessibilidade - pilares fundamentais para o futuro da alimentação. De modo geral, as descobertas mostram que escolhas simples, como manter o arroz e feijão na rotina, podem gerar benefícios reais e mensuráveis tanto para a saúde humana quanto para o planeta.
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Mais sobre o estudo
O estudo se ancora no Índice Nutricional de Saúde (Heni) - um sistema de pontuação sobre o impacto da alimentação à saúde em anos de vida saudável (sem incapacidades). O índice utiliza dados epidemiológicos para classificar e avaliar alimentos e dietas conforme as características nutricionais dos itens.
A pesquisa analisou os 33 alimentos que mais contribuem para a ingestão energética dos brasileiros usando o índice. Além disso, os cientistas calcularam o impacto ambiental das porções em emissão de gases de efeito estufa (CO2 equivalente) e volume de água utilizado. O trabalho é assinado por pesquisadores da USP, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).
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No geral, produtos derivados de animais, particularmente carne vermelha, tiveram os maiores custos ambientais. Já alimentos de origem vegetal, como feijão e frutas, tiveram melhores pontuações no Heni e menores impactos ambientais.
Ao Jornal da USP, a professora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP Aline Martins de Carvalho explica que a quantidade de minutos de vida perdidos está associada aos hábitos de consumo. “Não se trata do consumo de uma única bolacha, nem de uma única vez na vida, mas sim um consumo contínuo dessa porção de bolachas. Se a pessoa consome por muitos anos e de forma diária, esse hábito irá reduzir o tempo de vida saudável dela”, explica Aline.