MEIO AMBIENTE

Sem lenha: a nova mudança na produção do café que voce bebe diariamente

Formalizada na Feira Internacional do Café Conilon, iniciativa busca garantir maior eficiência, controle de temperatura e qualidade final aos produtores

Iniciativa visa substituir lenha por energia mais limpa na hora da secagem do café.Créditos: Pxhere
Escrito en GASTRONOMIA el

Um marco para a sustentabilidade e a tecnologia na cafeicultura foi estabelecido na Feira Internacional do Café Conilon. Autoridades do setor, representantes da indústria energética e cooperativas formalizaram uma iniciativa inédita para incentivar o uso do gás natural no processo de secagem dos grãos de café.

A assinatura do termo de cooperação ocorreu durante o encerramento do evento, consolidando o compromisso do setor produtivo com práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) e a busca por maior competitividade no mercado global.

Historicamente, a secagem do café (uma das etapas mais críticas para a qualidade da bebida) é realizada majoritariamente com o uso de lenha. A nova iniciativa visa introduzir o gás natural como uma alternativa viável e superior.

Segundo especialistas presentes na feira, a substituição traz vantagens técnicas imediatas. Ao contrário da queima de madeira, que pode gerar oscilações de calor e contaminar os grãos com fumaça, o gás natural permite um controle preciso da temperatura. Isso resulta em uma secagem uniforme, preservando as propriedades sensoriais do Conilon e agregando valor ao produto final.

"A automação que o gás natural permite transforma a secagem de uma arte empírica em um processo científico e controlado, essencial para quem busca o mercado de cafés especiais", destacou um dos técnicos durante a apresentação do projeto.

Sustentabilidade e redução de impacto

Além do ganho em qualidade, o fator ambiental foi o grande motor para a formalização da parceria. A pressão internacional por cadeias de suprimentos livres de desmatamento torna a dependência da lenha um ponto de atenção para a cafeicultura brasileira.

A iniciativa formalizada na Feira propõe: redução da emissão de particulados na atmosfera; diminuição da demanda por madeira, preservando matas nativas; menor pegada de carbono no processamento do grão.

Com a formalização, o próximo passo envolve a criação de projetos-piloto em propriedades selecionadas e o estudo de viabilidade econômica para a expansão da rede de distribuição ou uso de Gás Natural Comprimido (GNC) em áreas mais afastadas. A expectativa é que, já na próxima safra, os primeiros lotes de "Conilon secado a gás natural" cheguem ao mercado, testando a receptividade dos compradores internacionais.

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