REAPROXIMAÇÃO?

Governo Biden vai à Venezuela para tentar aproximação diante da guerra na Ucrânia

Estados Unidos tentam melhor relações com Nicolás Maduro, importante aliado da Rússia na América Latina

Nicolás Maduro e Vladimir Putin, presidentes da Venezuela e da Rússia.Créditos: Prensa Presidencial Venezuela
Escrito en GLOBAL el

Um dos 35 países a se abster na votação da Assembleia Geral da ONU contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Venezuela virou alvo do governo de Joe Biden, dos Estados Unidos. Ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos anos, Biden quer aproveitar a guerra na Ucrânia para distensionar as relações com o país governado por Nicolás Maduro. A Venezuela é uma importante aliada da Rússia.

Segundo informações do New York Times, altos funcionários do governo Biden seguiram rumo à Venezuela neste sábado (5) para se encontrar com representantes do governo bolivariano. Depois dos EUA deixarem de reconhecer Maduro para apoiar uma aventura de autoproclamação oposicionista, é a primeira vez que um encontro nesse nível acontece.

Durante o governo Donald Trump, as relações diplomáticas entre os países foram rompidas. O encontro deste sábado pode reestabelecer esse vínculo e garantir o reconhecimento de Maduro como único governante legítimo. No ano passado, o governo venezuelano e a oposição mantiveram conversas em uma mesa de diálogo, que foi interrompida em outubro e pode estar perto de voltar.

A Venezuela é um importante aliado da Rússia a América Latina e interessa aos Estados Unidos ensaiar uma aproximação. Os representantes venezuelanos na ONU rechaçaram as sanções que estão sendo impostas contra o país governado por Vladimir Putin e pediram o fim do "discurso de intolerância" contra os russos.

Em conversa telefônica com o mandatário russo, Maduro condenou as ações de desestabilização promovidas pela Otan.

Venezuela segue como "ameaça" para os Estados Unidos

Apesar da visita programada, os EUA renovaram nesta sexta-feira (4) um decreto que considera a Venezuela como uma possível ameaça à segurança nacional estadunidense. A chancelaria venezuelana reagiu.

"Após sete anos de uso deste instrumento para perpetrar múltiplas violações do Direito Internacional pelo governo dos Estados Unidos e seus aliados, o povo da Venezuela reafirma seu espírito de luta e resistência e sua firme e inalienável convicção de defender sua soberania, por meio de métodos pacíficos e diplomáticos, o que de forma alguma poderia ser qualificado como uma ameaça a outra nação", afirma.

Os venezuelanos, no entanto, ratificaram a "disposição em favor do restabelecimento e regularização das relações diplomáticas" entre os dois países "com base no reconhecimento mútuo como Estados soberanos e governos legítimos, e por meio de um diálogo franco e construtivo".