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Hezbollah: saiba o que é o grupo que apoia o Hamas

Criado com um manifesto anti-Israel, organização combate como força pró-Palestina

Marcha do Hezbollah após fim da ocupação do sul do Líbano por Israel, em 2000.Créditos: Reprodução/Commons
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Na guerra entre Israel e o Hamas, intensificada no último sábado (7), o Hezbollah teria participado ativamente no ataque aos postos militares israelenses, em apoio à Palestina. Com origens na guerra civil do Líbano, o grupo é categorizado como uma organização terrorista por governos do Ocidente, como os Estados Unidos, Canadá e Israel.

No domingo (8), o Hezbollah assumiu a autoria dos ataques de mísseis nos postos militares de Radar, Zabdin e Ruwaisat Al-Alam, todos na região das Fazendas do Shebaa, no norte de Israel. O espaço é uma faixa de terra nas Colinas do Golã, a fronteira tripla entre Israel, Líbano e Síria. 

Em resposta, Israel disparou ataques balísticos na origem dos disparos de mísseis, no Líbano. Desde 2006, quando eclodiu a guerra entre Israel e o Hezbollah, o Líbano tem negociado trégua com o Estado vizinho. 

O que é o Hezbollah?

O Hezbollah é um partido político islâmico xiita e grupo militante com base no Líbano. Devido à sua organização política, rede de serviços sociais e plantel de segurança, recebe a reputação de "Estado dentro de um Estado". Atualmente, é financiado pelo Irã.

O Hezbollah teve sua fundação em um contexto de guerra civil libanesa, com o objetivo de resistir à ocupação israelense do Líbano e à intervenção militar dos Estados Unidos. Ataques à embaixada dos EUA e barracas de tropas estadunidenses e francesas em 1983, e um novo atentado à embaixada dos Estados Unidos em 1984 foram atribuídas ao Hezbollah. 

Em 1985, o grupo lançou seu primeiro manifesto, que proclamava a expulsão dos países ocidentais do Líbano, a destruição de Israel e jurava lealdade ao líder supremo do Irã. Quatro anos depois, o encontro de parlamentares libaneses na Arábia Saudita marcou o fim da guerra civil libanesa por meio de um acordo, que exigiu o desarmamento de todas as milícias do Líbano, com exceção do Hezbollah.

Nos anos 2000, a organização esteve associada ao assassinato do primeiro-ministro Rafiq al-Hariri em 2005 e ao sequestro de soldados israelenses em 2006 que iniciou uma guerra com Israel e resultou em mil libaneses mortos – o conflito entre as nações ocorre desde a invasão israelense no sul do Líbano em 1978. 

O Hezbollah enviou soldados para sustentar o governo de Bashar al-Assad durante os protestos da Primavera Árabe, que reivindicaram mais direitos políticos, condições para igualdade econômica e o fim da violenta repressão das forças de segurança pública. As manifestações, acompanhadas de rebeldes sunitas, romperam na guerra civil síria, no ano seguinte.

O Irã fortalece o Hezbollah por meio de financiamento e armamento do grupo: são enviados cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) por ano, de acordo com o relatório de terrorismo, realizado pelo Departamento de Estado dos EUA, em 2020.

No relatório de 2019, o departamento escreve: "Vários grupos terroristas, com destaque ao Hezbollah, continuaram a operar no Líbano durante o ano. Hezbollah segue como o mais poderoso parceiro terrorista do Irã e o mais competente no Líbano, controlando áreas pelo país. O financiamento anual do Irã ao Hezbollah – estimado em US$ 700 milhões – conta como a vasta maioria do orçamento anual do grupo".

O mesmo documento aponta a relação do grupo com o conflito entre Israel e Palestina, na perspectiva dos EUA: "A presença do Hezbollah no Líbano e Síria coloca em risco o Israel. [...] Embora grupos terroristas da Palestina e da Cisjordânia continuam ameaçando Israel, forças de segurança israelenses e palestinas continuam coordenadas no esforço de mitigar a violência".

Em 2020, o grupo jurou vingança aos Estados Unidos após um ataque aéreo por drone assassinar o general iraniano Qasem Solemaini, em Bagdá. Ele liderava a Força Quds, braço paramilitar da Guarda Revolucionária, associação vinculada ao Hezbollah.

O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, da sigla em inglês) estimou, em 2020, que a milícia tinha cerca de 20 mil soldados na ativa e outros 20 mil na reserva, além de um arsenal com tanques, drones e mísseis de longa distância. "O Hezbollah é o ator não estatal mais fortemente armado do mundo", relata o estudo.

O Hezbollah entrará na guerra?

De acordo com pronunciamento do Hezbollah, o ataque do Hamas contra Israel foi uma "resposta decisiva na invasão contínua de Israel e uma mensagem para quem busca a normalização de Israel". O termo "normalização" é utilizado para caracterizar as relações públicas com os israelenses, como os diálogos oficiais entre governos.

O partido palestino Fatah – nacionalista e social-democrata de esquerda – afirmou estar disposto a abrir um segundo front de guerra contra Israel com o apoio do Hezbollah, junto da organização Hamas e da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP, na sigla em inglês) – um grupo revolucionário marxista-leninista.

O representante do Hamas no Líbano, Ahmed Abed, revelou que o Hezbollah lançará um ataque direto caso Israel intensifique suas operações na Faixa de Gaza, onde mais de 560 pessoas foram vítimas de ataques do Estado chefiado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

"Estamos prontos [para lutar contra Israel] a todo momento", diz Habet, membro do Fatah no campo de refugiados de Burj al-Barajneh que completa, "Palestinos no Líbano tem sofrido por viver em terras que não são nossas. Estamos todos ansiosos pela próxima vida". Burj al-Barajneh foi criado por entidades ligadas à Cruz Vermelha em 1948 e está localizado na periferia de Beirut, capital do Líbano.

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