ORIENTE MÉDIO

Israel afirma que vai "devolver Líbano à idade da pedra" e ameaça Hezbollah

Tensões entre Líbano e Israel chegam ao pior ponto desde a guerra de 2006

Sayyid Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, e Yoav Galant, ministro da defesa israelenseCréditos: Reprodução/Montagem
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O ministro da defesa de Israel, Yoav Galant, fez um forte discurso ameaçando o Hezbollah, partido político e milícia xiita que atua em território libanês. No comunicado, Galant afirmou que um eventual conflito levaria o Líbano "à idade da pedra" e que não toleraria mais provocações do grupo político muçulmano.

Em março, uma bomba explodiu em uma estrada em Israel; a inteligência do país atribuiu o ataque ao Hezbollah, que não assumiu nenhuma responsabilidade pelo ataque.

Nas últimas semanas, conflitos entre grupos de palestinos dentro do Líbano, forças do Hezbollah e as tropas israelenses na fronteira sul libanesa têm aumentado a tensão na região.

"Não se engane. Não queremos uma guerra. Mas estamos preparados para proteger nossos civis, nossos soldados e nossa soberania", disse o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, em comunicado, com comentários dirigidos ao Hezbollah.

Vale lembrar que Israel tem o poder de devolver o Líbano à "idade da pedra" por ter um arsenal de bombas nucleares.

Israel tem tomado um discurso muito mais agressivo na questão militar por uma questão política: enquanto o país se racha por conta da reforma judicial de Benjamin Netanyahu, o governo tenta unificar a população em torno da segurança nacional, abrindo frentes e conflito contra a Cisjordânia, intensificando ataques a Síria e Gaza, e, agora, tensionando com o partido político libanês.

Histórico de tensões entre Israel e Hezbollah

O Hezbollah foi uma força durante a guerra civil do Líbano e possui um braço armado até os dias de hoje. Entre 1978 e 2000, Israel ocupou o sul libanês, na chamada Operação Litani. Foi justamente o grupo xiita que comandou a expulsão das tropas israelenses do território.

Em 2006, após um ataque do Hezbollah dentro do Estado de Israel, o governo israelense, comandado por Ariel Sharon, operou uma guerra contra o Líbano. A operação de um mês é considerada uma das mais sangrentas da história recente do conflito árabe-israelense.

De acordo com vários relatos da mídia, entre 1.000 e 1.200 civis libaneses foram mortos; entre 1.500 e 2.500 pessoas ficaram feridas e mais de 1 milhão foram temporariamente deslocadas. 150 israelenses morreram, cerca de 700 ficaram feridos; algo entre 300 e 500 mil foram deslocados.

Há diversos relatos de crimes de guerra israelenses relatados pela Human Rights Watch, como o bombardeio de estruturas civis. O  Hezbollah também atacou civis israelenses, e foi acusado por Telavive de usar civis como escudo para se defender dos ataques do IDF.

O conflito foi interrompido após um mês e as tensões entre Líbano e Israel nunca cessaram. Recentemente, os países fizeram um acordo para a extração de gás da costa do mediterrâneo através de uma negociação mediada pelos EUA, mesmo sem ter relações formalizadas, o que se acreditava ser um passo para uma redução nas tensões, mas a escalada retórica de Israel contra seus inimigos históricos não colabora para a situação.