FALA, MINISTRO

“Linguagem chula e irresponsável”: Mauro Vieira encurrala chanceler de Israel

Chefe do Itamaraty reage à fala absurda de Israel Katz, defensor do genocídio em Gaza

Chanceler Mauro Vieira mantém postura do governo LulaCréditos: Marcelo Camargo/Agencia Brasil
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O ministro de Relações Exteriores Mauro Vieira manteve linha dura contra as declarações do chanceler da diplomacia de Netanyahu Israel Katz.

Após as denúncias do genocídio em Gaza feita por Lula na cimeira da União Africana no domingo (18), o estamento político israelense se rebelou.

O chanceler Katz fez uma postagem no Twitter em português afirmando que a “comparação [com o nazismo] é promíscua, delirante. Vergonha para o Brasil e um cuspe no rosto dos judeus brasileiros”.

Antes, a diplomacia israelense já havia tentado intimidar o governo Lula com a pecha de antissemitismo.

O chefe do Itamaraty afirmou na saída de uma reunião do G20 que a postura de Israel Katz é inaceitável.

“As manifestações do titular da chancelaria do governo Benjamin Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo.  Uma Chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”, disse Vieira.

“O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da história de luta e de coragem do povo judeu. Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim”, completou o diplomata.

Foi Mauro Vieira quem decidiu convocar o embaixador brasileiro em Tel Aviv. Agora, o governo convocou Daniel Zonshine, representante diplomático de Israel no Brasil, para prestar esclarecimentos. Este foi o mesmo que se reuniu com Bolsonaro e parlamentares de extrema direita no ano passado.

Veja a declaração completa do chanceler brasileiro:

A colunista Malu Gaspar, do Globo, afirma que há a possibilidade de expulsar Zonshine do país e retirar as credenciais diplomáticas do israelense.

Até o momento, Israel matou mais de 29 mil pessoas em Gaza, incluindo 12 mil crianças e 8 mil mulheres desde 7 de outubro de 2023.