GLOBAL

“Freiras da cannabis”: O que é a comunidade religiosa que acredita na cura espiritual das plantas

Comunidade que cultiva maconha medicinal ficou conhecida ao surgir em produção com Leonardo DiCaprio

Créditos: Reprodução/Youtube
Escrito en GLOBAL el

As Sisters of the Valley, conhecidas como as “freiras da maconha”, surgiram há dez anos na Califórnia e se tornaram símbolo de um movimento que mistura espiritualidade, ativismo e empreendedorismo. O grupo ganhou projeção internacional após uma breve aparição no novo filme de Leonardo DiCaprio, One Battle After Another (“Uma Batalha Após a Outra”), mas enfrenta dificuldades financeiras para manter o negócio.

A comunidade foi criada por Christine Meeusen, hoje chamada de Sister Kate. Nascida em Wisconsin e criada em família católica, ela viveu na Holanda como consultora antes de voltar aos Estados Unidos e fundar a ordem, inspirada nas Beguinas — mulheres medievais que viviam em comunidades semi-monásticas. Em sua fazenda no Vale de San Joaquin, o grupo cultiva cannabis e produz óleos à base de CBD, usados para fins medicinais.

Fé, ativismo e negócio

As Sisters of the Valley não têm ligação com a Igreja Católica. Seguem votos de simplicidade, serviço e ecologia, mas não de celibato. A fé delas é centrada na natureza: acreditam que a cura e o equilíbrio vêm da relação espiritual com a terra.

O grupo sobrevive da venda de produtos feitos com cânhamo, mas a renda caiu de US$ 1,2 milhão antes da pandemia para US$ 350 mil em 2024. Para enfrentar a crise do mercado legal de cannabis na Califórnia, as freiras decidiram ampliar a produção e passar a vender também variedades com alto teor de THC em parceria com uma rede de dispensários locais.

Da fazenda ao cinema

Em 2024, as freiras inspiraram as personagens 'Sisters of the Brave Beaver' no filme de Paul Thomas Anderson, estrelado por Leonardo DiCaprio e Sean Penn. Quatro delas participaram das filmagens, realizadas em uma antiga missão espanhola na Califórnia.

Hoje, o grupo conta com cerca de dez integrantes fixas. Elas realizam seus cultivos em silêncio, cercam as plantações com sal para proteção e evitam música durante o trabalho. “Tudo é feito com respeito espiritual”, afirma Sister Kate. Apesar das dificuldades, ela mantém o otimismo: “O que fazemos é sobre cura e propósito. Continuaremos firmes — e venceremos essa luta.”

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar