O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou o cessar-fogo na Faixa de Gaza durante entrevista nesta segunda-feira (13), em Roma, na Itália, onde participou de evento sobre o combate à fome nos 80 anos da FAO. Ele, que estava acompanhado do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o Brasil “não tem problema com Israel”, mas sim com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Antes tarde do que nunca, finalmente parece que se encontrou um fim para o conflito. Há muitas possibilidades do acordo ser definitivo”, celebrou Lula. “O Brasil não tem problema com Israel, tem problema com Netanyahu. Na hora que Netanyahu não for mais do governo, não terá mais nenhum problema, o Brasil e Israel sempre tiveram uma relação muito boa. Sabemos o papel que o povo judeu tem feito, inclusive lutando contra a atitude do Netanyahu, que não concordavam em muita parte com aquela guerra”, completou.
Lula também revelou suas impressões sobre o papa Leão XIV. Ele disse que, apesar de não ter havido conversas sobre o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, as conversas com o pontífice tiveram “muita química”.
“Não houve referência ao presidente Trump, mas posso dizer que houve muita química na minha relação com o papa. Parecia que eu estava conversando com alguém que eu já conhecia há 20 anos atrás, (...) de tanta afinidade que havia com a proposta do papa e a proposta de combate à fome”, compartilhou Lula. “Posso te dizer que foi um encontro maravilhoso, parecia que eu estava diante de um ser humano que eu conhecia há muito tempo”, continuou.
Questões do Judiciário
O presidente ainda abordou a sucessão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que renunciou ao cargo na semana passada.
Ele disse que não pensou no assunto da indicação, e que deverá tomar uma decisão quando retornar ao Brasil. O presidente viaja de volta ainda nesta segunda, onde deverá embarcar no Aeroporto Internacional de Fiumicino, nesta tarde.
“Vou pensar em quem indicar e como indicar. Quero uma pessoa, não sei se mulher ou homem, preto ou branco, capacitada para ser ministro. Não quero um amigo, quero um ministro que terá como função específica cumprir a Constituição. É a única qualidade que eu quero. Foi assim com todos ministros que indiquei e continuará sendo assim. Quando chegar no Brasil irei conversar com muita gente no governo, vou tomar uma decisão e anunciar quem vai conversar com o Senado”, respondeu Lula a jornalistas.
Quanto à questão do julgamento da deputada federal Carla Zambelli, que está presa na Itália e aguarda extradição ao Brasil, o mandatário foi direto em afirmar que ela sofrerá as consequências dos atos:
“Eu nem sabia que ela estava aqui [em Roma]. (...) Vai pagar pelo o que fez aqui ou no Brasil”, respondeu Lula.