SOBERANIA

Por que os EUA estão torrando U$ 1 bi para estocar minerais?

China limita exportações de minerais e Washington reage

É guerra.Munições utilizadas para perfurar blindados dependem de minerais que estão no centro de uma disputa global.Créditos: Wikipedia
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Os Estados Unidos estão torrando U$ 1 bilhão para estocar minerais, informa o diário britânico Financial Times. Metade disso é em cobalto, com o restante utilizado para garantir antimônio, tântalo e escândio.

O cobalto é utilizado em ligas super-resistentes a partir das quais se produzem peças para aeronaves, mísseis e submarinos, além de componentes para o cano de metralhadoras. Combinado com tungstênio e níquel, o cobalto também é utilizado em munição capaz de penetrar em veículos blindados.

O antimônio é aplicado na fabricação de munição para fortalecer o chumbo, tem efeito de retardante para proteger uniformes e equipamento de fogo e é utilizado em componentes de equipamentos de visão noturna e sistemas que guiam mísseis. Em liga com o chumbo, é aplicado em explosivos, munição traçadora e baterias.

O tântalo é fundamental para o desenvolvimento de capacitores utilizados em sistemas de radar e navegação. Por sua alta densidade e resistência ao calor e corrosão, é aplicado em munições de penetração em blindados.

O escândio, por sua leveza, é aplicado em peças aeroespaciais, armaduras e munições. Em liga com o alumínio, multiplica a durabilidade de equipamento militar, aumentando a resistência, mas diminuindo o peso.

A República Democrática do Congo é a maior produtora de cobalto do mundo, mas a China é quem lidera a produção de cobalto refinado.

China, Rússia e Bolívia têm as maiores reservas de antimônio. Austrália e Brasil concentram as de tântalo. Austrália, China, Canadá e Rússia lideram nas reservas de escândio.

As compras estadunidenses são feitas pela Agência de Logística da Defesa.

O escândio é um dos 17 elementos químicos abrigados sob o nome de "terras raras". Os outros são o cério, disprósio, érbio, európio, gadolínio, hólmio, itérbio, ítrio, lantânio, lutécio, praseodímio, promécio, neodímio, samário, térbio e túlio.

Brasil em foco

Depois da China (49%), o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta (23%).

O país tem um Centro de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial -- Instituto de Ímãs de Terras Raras baseado em Lagoa Santa, Minas Gerais, para dominar o ciclo de produção destes minerais. Hoje, a China domina 90% do mercado mundial. Projetos-piloto no Brasil já desenvolveram a tecnologia para produzir ímãs de neodímio, ferro e boro.

As terras raras têm amplo uso em tecnologias civis, da aviação a veículos elétricos, dos painéis solares a smartphones e telas de computadores.

Recentemente, a China aumentou para 12 a lista de terras raras com controles de exportação.

De acordo com o US Geological Surrvey, que monitora importações de minerais dos Estados Unidos, entre 2020 e 2023, a China forneceu 70% das terras raras utilizadas pela indústria estadunidense.

Donald Trump ameaçou a China com tarifas adicionais de 100% depois do anúncio de novas restrições, mas desde então ele e seus assessores baixaram o tom.

A China alega que pretende continuar abastecendo o mercado, mas com restrições para empresas do complexo industrial militar do Ocidente.

Os controles de exportação chineses banem a venda de motores elétricos utilizados em mísseis e caças e componentes essenciais para calibrar os tiros de tanques e artilharia de longa distância.

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